Pequim passa por embelezamento de última hora para receber turistas durante Olimpíada

PEQUIM - Os turistas que saírem dos portões do Templo do Paraíso no próximo mês provavelmente não irão perceber a casa de Song Wei do outro lado da rua. Da mesma forma os espectadores ao longo da rota olimpíaca de ciclismo não irão parar no restaurante de Sun Ruonan perto dali.

The New York Times |

Song e Sun vivem perto do eixo central de Pequim em bairros que foram reformados para fazer com que a cidade tenha um aspecto mais limpo e ordeiro para a Olimpíada . Ambos permaneceram no local apesar da pressão para que se mudassem. Eles passarão a Olimpíada atrás de paredes ou telas posicionadas para manter sua propriedade fora da vista do público.

Um véu de plástico verde cobre o restaurante de Sun. A casa de Song e diversas lojas que ele aluga a trabalhadores imigrantes foram cercadas por uma parede de tijolos de três metros de altura na semana passada, parte de uma campanha de embelezamento de última hora. As autoridades consideraram seu pequeno quarteirão comercial feio demais para ser visto.

"Todos nós apoiamos a Olimpíada", disse Song, 42, nativa de Pequim que aluga quartos a duas famílias imigrantes que abriram as lojas. "Mas por que construíram uma parede em volta da gente?"

Uma misteriosa notificação apareceu ao lado das lojas no dia 17 de julho, escrita sobre papel branco e sem nenhuma assinatura: "Mantendo a solicitação do governo de corrigir o ambiente olímpico, uma parede será construída em torno do número 93 da rua Tianqiao Sul". Na manhã seguinte, diversos construtores apareceram sob escolta policial.

Agora uma parede esconde a pequena aglutinação de lojas onde famílias imigrantes vendem meias, bolsas, calças, macarrão e sanduíches cozinhados em uma típica sopa apimentada.

Reforma completa

Pequim realizou uma das mais caras reformas do mundo. Ao longo do eixo central da cidade que vai do Portão Yongdingmen à torre Drum, as autoridades fizeram o possível para dar à cidade uma nova face, ou pelo menos esconder a velha face. Pequim gastou US$130 milhões para restaurar prédios, muitos dos quais são templos, ao longo do eixo de 8km, de acordo com o gabinete de relíquias culturais.

A parte sul do eixo foi a mais difícil de se embelezar. Ali estão os bairros mais densamente populados que abrigam grande parte dos trabalhadores imigrantes pobres. Para esconder bairros escalados para reformas em anos recentes ou qualquer coisa que o governo considere feio, as autoridades simplesmente construíram muros.

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