Pequim adota nova postura de controle da mídia em confrontos em Xinjiang

PEQUIM - Conforme acontecia o confronto de domingo na região de Xinjiang, o governo central da China adotou todas as medidas comumente utilizadas para santificar sua versão dos eventos como a correta: atrapalhou o acesso à internet, bloqueou microblogs como o Twitter, impediu o resultado de buscas por termos que tivessem ligação com aquele episódio violento e sobrecarregou a mídia local com histórias aprovadas pelo Estado.

The New York Times |

Além disso, adotou um passo mais incomum: horas depois que as tropas reprimiram os protestos, onde 156 pessoas morreram, o Estado convidou jornalistas estrangeiros para uma viagem oficial a Urumqi, a capital de Xinjiang e local do distúrbio, "para saber mais sobre o tumulto".

O governo estabeleceu um centro para a mídia em um hotel centralizado (com imensos descontos na tarifa) para acolher um número cada vez maior de repórteres que chegava ao local.

A reação é muito diferente da que aconteceu em Pequim há 11 anos quando a violência étnica tomou conta de Xinjiang e as autoridades lacraram a cidade e se recusaram a dizer o que havia acontecido e quantas pessoas haviam morrido. Isso reflete as lições aprendidas na repressão militar do Tibete há 17 meses .

Conforme a internet e outras novas mídias geram novos desafios à versão chinesa da verdade, o país passa a adotar novos métodos não apenas para suprimir notícias ruins na fonte, mas para tentar manipular qualquer versão desfavorável que saia do seu controle.

"Eles estão ficando mais sofisticados e aprenderam com erros passados", disse Xiao Qiang, professor da Universidade da Califórnia, Berkeley, que acompanha os esforços do governo chinês em gerenciar o fluxo de informação.

Especialistas chineses claramente estudaram as formas como a internet e as comunicações por celular ajudam os manifestantes a se organizar e alcançar o resto do mundo, por isso o governo busca formas de contrabalencear a situação.

Vídeos feitos durante os protestos no Tibete fizeram com que o governo bloqueasse o YouTube naqula época, uma tática repetida no aniversário da Praça da Paz Celestial no mês passado. O YouTube também foi bloqueado esta semana.

As autoridades têm destruído discos de satélite na região eliminando a transmissão de canais não censurados de televisão e rádio estrangeiros. A culpa da violência tem sido colocada em agitadores estrangeiros.

Na superfície, ao menos, a postura do governo em relação ao mundo exterior parece diferente do que em situações anteriores, quando jornalistas estrangeiros eram impedidos de chegar ao local.

Na manhã de segunda-feira, o governo convidou os jornalistas a Urumqi para que noticiassem os tumultos. Eles foram aconselhados a participar de uma coletiva de imprensa na manhã de terça-feira para que o governo os informasse sobre a situação.

Mas os jornalistas foram informados que não podiam realizar entrevistas por si mesmos, longe dos olhos dos responsáveis do governo.

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