Paulson se opõe ao resgate de donos de imóveis e automobilísticas

WASHINGTON - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry M. Paulson Jr., rejeitou na terça-feira os pedidos de que parte dos US$ 700 bilhões do plano de resgate seja usada para ajudar os donos de imóveis a evitarem as desapropriações ou prevenir a falência das três grandes automobilísticas americanas.

The New York Times |

Diante de reclamações dos legisladores democratas que alegavam que ele  ignorou a vontade do Congresso, Paulson firmou os pés e disse que o dinheiro será injetado apenas em instituições financeiras.

"O objetivo principal do projeto era proteger nosso sistema  financeiro", disse Paulson ao Comitê de Serviços Financeiros da  Câmara. "O pacote de resgate não buscava ser um pacote de estímulo  financeiro ou de recuperação econômica".

Os democratas atacaram Paulson, com alguns acusando-o de "mudar de  ideia" ao abandonar o plano original e outros expressando fúria ao ver o Tesouro alocar US$ 290 bilhões para bancos e financiadoras mas nada  para os donos de imóveis.

"O projeto de lei oferece a autorização que você precisa, não apenas  para comprar hipotecas, mas para gastar de forma consciente", disse o representante Barney Frank, Massachussets. "Claramente parte disso não  era apenas para estabilizar, mas para reduzir o número de  desapropriações para o bem da macroeconomia".

O confronto aconteceu num momento em que os líderes democratas no Congresso permanecem em um beco sem saída com os republicanos e o presidente Bush em relação a um pacote de resgate de US$ 25 bilhões para Detroit e outro pacote de estímulo econômico de US$ 100 bilhões.

Bush e os legisladores republicanos se opõem à medida e os democratas  do Senado não parecem ter votos suficientes para evitar  obstrucionismo.

O Tesouro alocou cerca de US$ 250 bilhões para os bancos e outros US$ 40 bilhões como parte do resgate da seguradora AIG.

Paulson reconheceu que tem a autoridade necessária para usar o  dinheiro do resgate para ajudar os donos de imóveis, mas insistiu que  essa verba deve ser usada apenas como "investimento" em instituições  financeiras ao invés de "gasta" na tentativa de resgate.

"Nós vimos que as compras capitais são claramente importantes em  termos de impacto no dólar investimento", ele disse.

Mas Sheila C. Bair, presidente da FDIC, alertou que a América deve  esperar cerca de 5 milhões de desapropriações nos próximos dois anos  caso o governo não tome alguma providência. "O que está em jogo é  valoroso demais e o tempo é curto para que dependamos de acordos  voluntários", Bair disse aos legisladores.

Bair, que rompeu com a gestão Bush, propõe que o Tesouro use US$ 24,4 bilhões do programa de resgate para ajudar a refinanciar e reduzir as  hipotecas de pessoas que estejam inadimplentes.

- EDMUND L. ANDREWS

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