Paul Krugman : pensando nas eleições gerais de novembro

A briga fervorosa pela indicação democrata pode estar perdendo força. Ela não acabou completamente, mas as chances agora favorecem claramente o candidato Barack Obama.

The New York Times |

Presumindo que Obama seja o nomeado, ele irá liderar um partido que, de acordo com indicadores habituais, deverá contar com uma vitória fácil ¿ até mesmo com uma grande vantagem.

Mesmo assim democratas estão preocupados. Será que tais receios são justificáveis?

Antes que eu responda esta questão, vamos falar um pouco sobre os indicadores.

Cientistas políticos geralmente acreditam que o que acontece durante o período de campanhas é mais ou menos relevante em relação às eleições gerais. Em vez disso, eles colocam fé em estatísticas que identificam os três principais elementos em uma corrida presidencial.

Primeiro, eleitores são afetados pelo estado da economia ¿ principalmente em relação à conjuntura econômica do ano que procede a eleição.

Segundo, o índice de aprovação do atual presidente afeta fortemente a habilidade do partido de ganhar o poder.

Terceiro, o eleitorado parece sofrer de uma crise dos oito anos; partidos raramente permanecem na Casa Branca por mais de dois mandatos.

Este ano, todos esses fatores favorecem os democratas. De fato, o Partido Democrata não desfrutou de um bom momento político desde 1964. Robert Erikson, cientista politico da Columbia, me disse: Seria muito difícil encontrar algum indicador significante que não aponte para uma vitória democrata em 2008.

E quanto às pesquisas eleitorais que ainda indicam uma boa chance de vitória ao republicano John McCain? Não preste atenção, dizem os especialistas: pesquisas sobre as eleições gerais neste período não dizem quase nada sobre o que de fato acontecerá em novembro. Lembre-se de 1992: Pesquisas colocavam Ross Perot em primeiro lugar, e Bill Clinton em terceiro.

Há apenas uma coisa que poderia brecar os democratas ¿ um grande fator: a briga entre os rivais pela nomeação dividiu o partido em termos de classe e raça, de um modo sem precedentes, ao menos nos tempos modernos.

Ironicamente, grande parte do apelo inicial de Obama focava na esperança de que ele poderia transcender tais divisões. À primeira vista, isso parecia consistente. Em fevereiro, por exemplo, ele contou com o apoio de metade da população branca da Virgínia, bem como a maioria dos votos do eleitorado negro norte-americano.

Mas nesta semana, Obama, embora continue a vencer entre afro-americanos, perdeu entre os brancos da Carolina do Norte por 23 pontos, e entre os brancos de Indiana por 22. O apoio da população branca a Obama ainda se concentra entre as pessoas com um maior nível de educação; os resultados de terça-feira mostraram que os problemas de sua campanha entre a classe trabalhadora norte-americana ainda persistem.

Discussões sobre como e por que o apoio de Obama perdeu força ao longo dos meses tem um significado: observadores diferentes vêem verdades distintas. Mas a esta altura, não importa de quem é a culpa. O que realmente interessa é que Obama parece ter vencido a disputa pela nomeação partidária com uma profunda, mas estreita, base de apoio de afro-americanos e brancos com um maior nível cultural. Agora ele tem de atrair novamente os democratas que um dia eram contra sua candidatura.

É possível que isto aconteça automaticamente ¿ que os ressentimentos da batalha pela indicação simplesmente desapareçam. Nas últimas décadas, democratas não tiveram muitos problemas em reunificar o partido após duras disputas durante as primárias.

Mas desta vez a rivalidade parece ir mais longe que apenas mais um rivalidade política. O paralelo mais próximo em que consigo pensar são as duras brigas no interior do partido nos anos 20, que colocaram democratas urbanos, de maioria católica, contra fazendeiros protestantes.

Logo, o que pode ser feito para curar as atuais divisões do partido?

Mais críticas dos eleitores de Obama contra Hillary Clinton não funcionariam ¿ ao contrário, elas alienariam ainda mais os simpatizantes da ex-primeira dama.

Também seria inútil insultar os grupos que apoiaram Hillary Clinton, sugerindo que o racismo foi o grande motivador de sua decisão.

Uma coisa que democratas definitivamente devem fazer é dar aos delegados da Flórida e de Michigan seus lugares na convenção.

E em relação à campanha, Obama deveria centrar seus discursos nas questões econômicas que interessam muito as famílias de baixa renda, independente de sua raça.

O ponto é que Obama tem uma oportunidade extraordinária nas eleições deste ano. Ele deveria fazer tudo que estiver ao seu alcance para evitar qualquer problema desnecessário.

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