Patrocinadora de frota a Gaza tem elos com elite da Turquia

Fundação de Ajuda Humanitária recebeu apoio nos mais altos níveis do partido governista do premiê Recep Tayyip Erdogan

The New York Times |

A instituição de caridade turca que liderou a flotilha atacada por Israel tem amplas conexões com a elite política da Turquia, e os esforços do grupo para desafiar o bloqueio israelense à Faixa de Gaza receberam apoio nos mais altos níveis do partido do governo, afirmaram diplomatas turcos e autoridades do governo.

A instituição de caridade, a Fundação de Ajuda Humanitária, muitas vezes chamada de IHH, foi atacada por Israel e países do ocidente por oferecer apoio financeiro a grupos acusados de terrorismo.

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Nursema, de 10 anos, cujo pai foi um dos nove turcos mortos no ataque de Israel contra a frota que pretendia entregar ajuda a Gaza em 31 de maio de 2010
Mas, na Turquia, o grupo tem ajudado o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan a reforçar o apoio a muçulmanos conservadores antes das eleições do próximo ano e a melhorar a posição da Turquia e sua influência no mundo árabe.

De acordo com uma autoridade turca de alto escalão, que falou sob condição de anonimato por causa da delicadeza política do problema, até dez membros do Parlamento pertencentes ao Partido de Desenvolvimento e Justiça de Erdogan estavam considerando embarcar no Marmara Mavi, navio que sofreu o ataque fatal , mas foram alertados no último momento por altos funcionários do Ministério de Assuntos Externos de que a sua presença poderia aumentar demais as tensões.

Quando os líderes da instituição de caridade voltaram para casa depois que nove turcos morreram no ataque israelense eles foram calorosamente recebidos por altos oficiais do governo da Turquia, disse Huseyin Oruc, diretor da organização que estava a bordo da flotilha.

O ataque causou uma ruptura entre Turquia e Israel e levantou suspeitas nos EUA e na Europa de que a Turquia, um grande país muçulmano e membro da Organização do Atlântico Norte, está mudando sua lealdade para o mundo árabe.

A Turquia avisou que os seus laços de cooperação com Israel poderiam ser irremediavelmente prejudicados a menos que os israelenses se desculpassem e aceitassem uma investigação internacional do ataque, medidas que Israel tem se recusado a tomar.

A missão da instituição de caridade, segundo analistas políticos, avançou o objetivo de Erdogan de deslocar o foco da Turquia para os muçulmanos do oriente em um momento em que as suas perspectivas de adesão à União Europeia são fracas.

As autoridades turcas disseram que a instituição de caridade operou de forma independente e seus dirigentes se recusaram a abandonar os planos para romper o bloqueio naval feito por Israel à Faixa de Gaza controlada pelo Hamas, apesar de pedidos feitos por parte do governo.

Os oficiais disseram que não tinham autoridade legal para interromper o trabalho de uma instituição de caridade privada.

Muitas das 21 pessoas listadas a bordo do navio da instituição de caridade têm ou tiveram vínculos estreitos com o partido governante. Esses vínculos, em parte, refletem uma agenda comum do partido e da instituição. Ambos estão envolvidos no trabalho de ajuda aos pobres e estão ligados por uma ideologia islâmica.

* Por Dan Bilefsky e Sebnem Arsu

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