Passos iniciais de Obama indicam inclinação bipartidária

CHICAGO - Na terceira semana de sua transição ao poder, o presidente eleito Barack Obama trabalha para consolidar uma relação cordial com os republicanos ao pedir sua opinião sobre propostas políticas, conselhos sobre indicações e evitando adotar posturas que se assemelhem a uma arrogância política advinda de sua margem de vitória.

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Obama contactou líderes republicanos e enviou Rahm Emanuel, seu chefe de equipe, a um encontro com eles no Capitólio. Ele pediu que os republicanos apóiem seu plano de resgate econômico e nesta segunda-feira irá indicar Timothy F. Geithner , que trabalhou com a equipe administrativa da gestão Bush, como seu secretário do Tesouro.

E ainda que não tenha indicado nenhum republicano para cargos em seu gabinete como prometido, Obama considera para o posto de consultor de segurança nacional um homem que apoiou abertamente a candidatura do senador John McCain, James L. Jones, um general do exército aposentado.

"Eu diria que até agora está ótimo", disse o senador Lamar Alexander do Tennessee, membro da liderança do partido republicano. "Se ele seguir este caminho encontrará muitos republicanos dispostos a ajudar". Alexander acrescentou: "Tudo depende dele".

Obama evitou se envolver na disputa ainda em andamento pelo Senado nos Estados de Geórgia e Minnesota. Ainda que tenha gravado uma propaganda de rádio para o candidato democrata na Geórgia, consultores afirmaram que ele não visitará o local, para evitar um posicionamento político enquanto trabalha para cumprir a promessa de acabar com a divisão partidária existente em Washington.

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Timothy Geithner, futuro secretário do Tesouro, em foto tirada em junho de 2008

As concessões bipartidárias enfureceram muitos liberais democratas, mas oferecem um vislumbre de como Obama espera se comportar durante a presidência. As críticas da esquerda ilustram os desafios que ele enfrenta conforme a inclusão dos republicanos dá espaço a discordâncias em relação à guerra no Iraque, os impostos e a reforma do sistema de saúde, principalmente considerando o tamanho da maioria democrata no Congresso e a pressão que isso trará a seu próprio partido.

Obama deu sinais pragmáticos e de centro ao escolher Geithner como secretário do Tesouro e a senadora Hillary Rodham Clinton como secretária de Estado, mesmo que também tenha dado sinais liberais mais tradicionais ao delegar a reforma do sistema de saúde a Tom Daschle, ex-líder democrata no Senado. Mas caso siga adiante no adiamento do aumento dos impostos para a classe alta, como alguns consultores recomendam, ele terá uma poderosa forma de atrair apoio republicano ao pacote de economia que esboçou no fim de semana.

Por JEFF ZELENY

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