Passageiros americanos lutam por voos sem crianças

Incomodados com barulho e choro dos pequenos, clientes sugerem implementação de setores específicos para famílias como alternativa

The New York Times |

Para muitas pessoas, um dos miores medos de voar é o de sentar ao lado de uma criança gritando, chutando e incontrolável. Especialmente quando o filho não é seu.

Compartilhar o avião com uma criança agitada é o maior azar que muitos viajantes podem imaginar. E, conforme os regulamentos de segurança e a economia conspiram para acabar com os confortos das viagens aéreas – as filas são longas, os voos estão cheios e cada vez mais desprovidos de amenidades –, o som do choro de um bebê pode ser a gota d’água para nervos já desgastados.

Depois de alguns incidentes famosos, viajantes sem filhos estão fazendo seu próprio barulho. Alguns querem que as companhias aéreas implementem voos sem crianças ou, ao menos, designem setores do avião apenas para “famílias”.

Em julho, a Qantas firmou um acordo com uma mulher que alegou ter sofrido perda de audição depois de sentar ao lado de um menino de 3 anos de idade que gritou ao longo de um voo entre Nova York e Austrália em 2009. Em janeiro, a AirTran removeu uma família inteira de um voo antes da decolagem de Fort Myers, na Flórida, porque a menina de 3 anos de idade estava batendo nos pais, fazendo barulho e se recusava a sentar-se em seu lugar. E em março, uma mulher de 42 anos teria agarrado um menino também de 3 anos por chutar sua cadeira durante um voo da Southwest para Las Vegas.

Pesquisa

Poucos viajantes defenderiam o que pode ser visto como uma agressão gratuita. Uma pesquisa com 2 mil passageiros realizada pelo Skyscanner, um site de comparação de tarifas, em agosto, revelou que 59% dos passageiros apoiam a criação de seções especiais nos voos para as famílias. Quase 20% disseram que gostariam de ver as companhias aéreas oferecendo voos sem crianças.

A pesquisa trouxe grande atenção para essa ideia, que há muito tempo era discutida em fóruns, blogs e outros bastiões das denúncias.

"Eu ficaria feliz em pagar mais por um voo sem crianças", disse Ian Burford, um passageiro de Boston que deu início a um grupo no Facebook pedindo que as companhias aéreas tenham voos sem crianças. "Ou pelo menos que facilitem a compra de um bilhete determinando que eu não quero sentar ao lado de uma criança. Isso seria útil".

Burford contou que começou seu grupo depois de sofrer em um voo entre Los Angeles e a Inglaterra sentado atrás de uma criança gritando. "Os pais não faziam nada pra pará-lo", disse. "Eles apenas sorriam e riam como quem diz: 'Ó, o que se pode fazer?'."

Seria fácil descartar os pedidos de separação das crianças em voos se eles viessem apenas de pessoas que não têm filhos. Mas muitos pais também apoiam a ideia.

Liberdade

Uma seção apenas para a família daria às crianças e aos pais a liberdade de "bater papo, assistir Nickelodeon e rir alto", dizia um post recente no Madame Noire, um blog que fala para mulheres afro-americanas. "E, sim, as crianças podem chorar, se quiserem".

Afinal, "os passageiros sem filhos realmente acham que é fácil quando os pais não conseguem acalmar seu filho gritando? Eles não sabem que é tão estressante para a mãe quanto para a criança e os outros passageiros, mas é um fato: crianças choram".

A ideia tem alguns antecedentes no Congresso: em 2007, o deputado Heath Shuler apresentou um projeto de lei que obrigaria as companhias aéreas a criar uma seção apenas para famílias nos aviões. Sua motivação, no entanto, era proteger os pequenos dos filmes violentos mostrados em voos comerciais. O projeto ganhou alguma atenção da mídia, mas ainda não chegou ao plenário para votação.

Para David Castelveter, porta-voz da Associação de Transportes Aéreos, no entanto, nem todo o choro do mundo – de crianças ou adultos – será suficiente para convencer as companhias aéreas a oferecer voos sem crianças. "Este é um setor que está trabalhando muito duro para voltar à lucratividade", ele disse. "De jeito nenhum uma companhia aérea vai desencorajar alguém de pegar um voo. Eu simplesmente não consigo ver isso acontecendo".

*Por Douglas Quenqua

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