Passado difícil assombra busca por segurança econômica na Europa

Eu não esqueci o passado, diz Gert Heinz, consultor de impostos de Munique. Se você depender do papel moeda pode perder tudo. Nós aprendemos isso da forma mais difícil, depois de duas guerras mundiais.

The New York Times |

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Por isso, quando a chanceler Angela Merkel foi à televisão para dizer aos alemães que suas contas bancárias estão seguras, Heinz, que aos 68 anos lembra das latas de comida que sua mãe escondia no sótão, decidiu se garantir. Ele converteu parte de suas economias em ouro, como fez anteriormente.

Heinz não está sozinho. Conforme os europeus tentam conseguir alguma segurança diante da crise financeira, eles refletem sobre as crises que atingiram o bloco ao longo da história. A história ensina os europeus que as situações podem piorar rapidamente e a tradição é esconder os tesouros da família em momentos de dificuldades.

Hoje, histórias de pessoas que tiram dinheiro de suas contas para mantê-lo em outro lugar circulam pelos bistrôs de Paris e pubs de Londres. Empresas que vendem ou alugam cofres reportam o aumento na demanda, apesar de não conseguirem estabelecer números precisos.

"A história importa. Em momentos de crise você consegue conhecer melhor um país e seu povo", disse Toni Pierenkemper, professor de história econômica da Universidade de Cologne. "Eventos traumáticos estão impregnados na consciência coletiva e geralmente são passados para as próximas gerações".

Uma rede alemã de 446 bancos públicos de poupanças, que garantem os depósitos há três décadas, se mostraram populares nas últimas semanas e milhares de pessoas passaram a mover seu dinheiro para estes cofres.

Heinz diz que um de seus clientes colocou um saco selado cheio de ouro e prata no fundo de um lago, caso o governo queira impor mais impostos aos ricos ou proibir a reserva em casa. Outro enterrou suas riquezas no meio de uma floresta. Todos eles pensam que é uma questão de tempo até que outra onda de inflação prejudique o valor do dinheiro.

Na França, a venda de ouro também aumentou, mas as pessoas confiam mais no governo.

Todo o sistema bancário francês era estatal até 1987 e o Estado tem um papel importante na economia desde os tempos de Louis XIV.

"Nós nacionalizamos, desnacionalizamos e renacionalizamos. A França é assim", disse Bernard Candiard, diretor geral do Credit Municipal de Paris, uma loja de penhor de 231 anos.

"Hoje nós estamos em processo de nacionalizar os bancos", disse Candiard. "É um sinal para as pessoas. O governo quer lhes dar confiança. Confiança na França é o Estado. Nós temos uma tradição diferente da dos Estados Unidos".

Por KATRIN BENNHOLD

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