Partido governista israelense vai às urnas escolher um novo líder

JERUSALÉM ¿ O principal partido da coalizão governista de Israel irá escolher um novo líder nesta quarta-feira e as pesquisas indicam que a vencedora provavelmente será a ministra do Exterior, Tzipi Livni, que também diz que seu objetivo é formar um novo governo sem convocar eleições gerais e avançar com as negociações de paz com os palestinos.

The New York Times |

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Seu principal rival, o ministro dos Transportes Shaul Mofaz, ex-general que é visto como mais drástico, disse que sua própria pesquisa aponta que ele será o vitorioso.

Um dos dois deve receber mais de 40% dos votos para evitar um segundo turno que, caso seja necessário, acontece em uma semana.

A escolha do novo líder do partido Kadima foi estimulada pelas investigações da polícia sobre o primeiro-ministro Ehud Olmert, que foi acusado de ter aceitado dinheiro ilegal enquanto era prefeito de Jerusalém e ministro da Indústria. Olmert prometeu deixar o cargo, mas espera-se que ele se mantenha como primeiro-ministro até que uma nova coalizão seja formada.

Olmert está ansioso para alcançar algum acordo de paz histórico com os palestinos antes que finalmente acabe seu mandato. Na terça-feira à noite, ele se encontrou por duas horas com o presidente palestino Mahmoud Abbas em Jerusalém. Mark Regev, porta-voz de Olmert, disse que os dois líderes vão continuar se encontrando até que o governo israelense seja escolhido.    

A porta para um acordo não foi fechada, disse Regev. Não houve nenhum cometário imediato do lado palestino.

Mas Abbas e outras autoridades palestinas pareciam pessimistas, dizendo que a distância é grande e que não acreditam que um acordo poderá ser fechado ainda este ano.

Muito sobre as primárias desta quarta-feira e as consequências dessa eleição ainda estão no ar, em parte porque o Kadima tem menos de três anos, quando foi formado pelo ex-primeiro-ministro Ariel Sharon.

Sharon foi líder do partido direitista Likud, mas, como Livni e Olmert, que também começaram na direita, se convenceram de que a única maneira de Israel manter o status de Estado judeu era acabando com a ocupação na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, onde cerca de quatro milhões de palestinos vivem.

Em Israel, o que diferencia a direita da esquerda é a quantidade de terra que cada parte está disposta a abrir mão em nome da paz no mundo árabe. Quanto mais terra, maior é a sua imagem de esquerdista. Kadima ¿ nome que significa avançar ¿ foi criado como um partido de centro. 

O partido tem cerca de 70 mil membros que podem votar em 100 postos de votação no país. Uma vez que um vencedor for declarado, ele ou ela terão 42 dias para obter a maioria no parlamento que conta com 120 parlamentares. Se esse esforço falhar, eleições gerais serão convocadas em três meses.

As recentes pesquisas mostram que se forem convocadas eleições nacionais, o partido direitista Likud liderado por Benjamin Netanyahu, pode triunfar. Livni e Mofaz querem evitar essas eleições e planejam formar uma coalizão governista que inclua o Partido Trabalhista assim como os Pensionistas e o Shas, partido ultraortodoxo. Entretanto, o Shas diz que se opõe a qualquer negociação sobre o status de Jerusalém com os palestinos e quer um aumento substancial na pensão paga pela previdência a quem tem filho pequeno, pontos que podem complicar sua junção na coalizão.

Se Livni vencer e não conseguir entrar em um acordo com o Shas, ela deve mirar no Meretz, partido esquerdista. Ela também disse que o Likud deve se juntar a ela porque, em sua visão, a velha divisão esquerda-direita está morta. Mas os líderes do Likud dizem até agora que preferem eleições gerais.

Tzipi Livni

Livni, advogada de 50 anos e mãe de dois filhos, entrou para a política na última década, recrutada por Sharon. Ela é a política mais popular em Israel no momento, em parte porque ela é vista como desvinculada dos acordos de bastidores e das alegações de corrupção que maculam tantos políticos.


Livni faz campanha antes da votação / AP

Como ministra do Exterior, ela liderou as negociações com os palestinos na esperança de chegar a um tratado de paz antes do fim do mandato do presidente Bush, em janeiro.

Livni não só começou como membro do Likud, mas também veio de uma espécie de aristocracia direitista. Seus pais eram membros do Irgun, milícia direitista anterior à criação do Estado de Israel, que considerava o Haganah, um grupo de defesa maior e mais popular, muito moderado.

Mas ela ajudou Sharon a criar o Kadima, que defendeu a saída de Israel da Cisjordânia; Israel retirou colonos de Gaza alguns meses antes do Kadima ser formado. A retirada de Gaza, entretanto, resultou na tomada do poder no território pelos militantes islâmicos do Hamas e no lançamento de foguetes contra o sul de Israel, o que fez com que o unilateralismo se tornasse rapidamente impopular. Como resultado, o Kadima adotou uma posição em direção à negociação, que não é muito diferente daquela do Partido Trabalhista.

Shaul Mofaz

Mofaz, 59, nascido no Irã, é um ex-comandante do exército e ministro da Defesa que parece ter concepções muito parecidas com o Likud. Ele se uniu ao Kadima apenas nos últimos minutos, em 2005, respondendo ao chamado de Sharon, e foi assunto de manchetes nos meses seguintes quando disse que, se o Irã não cessasse seus esforços no sentido de construir armas nucleares, Israel atacaria o país.


Mofaz tenta conquistar eleitores dentro do partido / Reuters

Ele também descreveu as negociações com os palestinos como uma perda de tempo apesar de ter dito que está comprometido em selar a paz.

Classe social e etnia entraram na disputa. Os judeus originários do Oriente Médio, os Sefardins, parecem favorecer Mofaz enquanto os de origem européia, os asquenazes, que tendem a ter mais dinheiro e ser mais bem-educados, preferem Livni.

Por ETHAN BRONNER

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