Partido de Robert Mugabe parece longe de deixar poder do Zimbábue

JOHANNESBURG, África do Sul ¿ O principal partido do Zimbábue, que tenta se manter no controle após 28 anos no poder, expandiu sua campanha de intimidação e violência e incluiu como alvo professores e até mesmo equipes de ajuda humanitária, interrompendo a educação e serviços básicos para centenas de milhares de crianças por todo o país. As informações foram divulgadas por grupos de assistência, oficiais de sindicatos e pelos próprios professores.

The New York Times |

Professores têm sofrido repressão pelo partido vigente por supostamente apoiarem a oposição durante as eleições polêmicas ocorridas em março, em qual serviram como monitores eleitorais. Mais de 2,7 mil deles saíram ou foram expulsos das salas de aula, segundo o sindicato dos professores. Dezenas de escolas foram fechadas e outras 121 estão servindo para as milícias do próprio partido, na medida em que provocam distúrbios e violência por todo o país.

Além disso, o Fundo da Criança da ONU fiz que mais da metade das 55 organizações não-governamentais atuando no país suspenderam todo ou parcialmente seus programas em orfanatos do Zimbábue, onde um em cada quatro menores perdeu o pai ou a mãe.

Com mais de um mês de atraso, autoridades eleitorais do Zimbábue anunciaram finalmente na última sexta-feira o resultado das eleições presidenciais, dando ao líder da oposição, Morgan Tsvangirai, a vantagem sobre o atual presidente Robert Mugabe, do partido ZANU-PF. Ainda assim, fontes oficiais disseram que Tsvangirai não venceu com a maioria absoluta dos votos, forçando a realização de um segundo turno.

Grupos dos direitos humanos e diplomatas sustentam que, embora os pronunciamentos digam o contrário, o partido governista do país está tentando vencer a corrida presidencial, através da intimidação. Um membro do ZANU-PF, que falou sob condições de anonimato, disse em entrevista que o partido não tem intenções de deixar o poder mesmo com a votação.

Estamos dando ao povo do Zimbábue outra oportunidade para repensarem suas escolhas, para votarem apropriadamente, disse um membro. Esta é a última chance.

Se eleitores não optarem pela volta de Mugabe ao poder, disse o membro para um jornalista do Zimbábue que trabalha para o New York Times, então se prepare para ser um correspondente de guerra.

O impasse político do país parece persistir ainda por muitos meses. O ZANU-PF e o partido oposicionista, Movimento Pela Mudança Democrática, já desafiaram os resultados das eleições em mais de 50 seções eleitorais, reportou o jornal local, The Herald, na última quinta-feira.

-Celia W. Dugger

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