Partidárias de Hillary vão a Denver

DENVER - Susie Tompkins Buell de San Francisco, uma importante doadora democrata, quase não foi à convenção do partido essa semana, mas depois resolveu e voou até Denver quando o evento estava prestes a começar na segunda-feira.

The New York Times |

Eu estou indo à convenção para ver Hillary, disse Buell em entrevista. Eu quero ser inspirada por ela, quero que ela me encoraje a fazer a melhor coisa para o nosso futuro. Ela está tentando nos ajudar a passar por esse momento.

Esse momento, claro, é a nomeação formal do senador Barack Obama como o porta-estandarte do partido ao invés da senadora Hillary Clinton, que ainda é a primeira opção de Buell e de muitas outras mulheres democratas mesmo após três meses do fim da maratona das prévias democratas. Essas partidárias estão procurando em Hillary, de Nova York, a purificação que a senadora disse que aconteceria na convenção.   

Para muitas das delegadas femininas e ativistas do partido presentes em Denver ¿ e também para as mulheres assistindo em rede nacional ¿ o ponto alto da convenção será o discurso de despedida que Hillary fará na noite de terça-feira. O que ela dirá para promover o seu antigo rival dirá muito sobre a habilidade do partido em unir os democratas pela vitória em novembro contra John McCain, que será oficialmente indicado durante a Convenção Republicana na próxima semana em St. Paul, Minnesota. 

Uma coisa é certa: será um momento emocionante tanto para Hillary Clinton, a ex-primeira-dama e senadora reeleita que tentou ser a primeira presidente mulher dos Estados Unidos, e também para as mulheres que apaixonadamente apoiaram Hillary e poderão ser as bases de uma futura candidatura. 


Apoiadoras de Hillary Clinton chegam para o evento em Denver / NYT

Hillary Clinton mapeou cuidadosamente sua passagem pelo evento, começando por segunda-feira quando tomou um café da manhã emotivo com políticos de Nova York, seu Estado ¿ homens e mulheres. O café incluiu um evento que saudou o seu trabalho enquanto senadora e primeira-dama - quando promoveu micro-crédito para mulheres pobres do mundo todo para que pudessem começar um negócio -, visitas aos apoiadores de todas as delegações e um tributo da Emilys List, organização que coleta recursos financeiros para que a candidatura de mulheres liberais receba apoio. 

Comprometimento

O clímax é o discurso de Hillary na terça-feira, e depois, a inclusão do nome dela para a nomeação. Na quarta, dizem assessores, ela irá pedir para que seus delegados votem em Obama. Mas muitos irão votar nela em um ato simbólico

Eu não acho que o senador Obama saiba quão profundo é esse comprometimento com a Hillary, e de onde essa paixão vem, disse Buell. Ela não disse se votará em Obama em novembro, mas adicionou, eu sou muito, muito fiel ao Partido Democrata então essa é uma decisão muito difícil. John McCain é inaceitável. 

Os democratas dizem que são sortudos já que o que divide seus membros é preferência por Obama ou Hillary, e não diferenças ideológicas, que são mais difíceis de contornar ¿ como descobriram os democratas em 1980, quando, divididos entre o presidente Carter e o senador mais liberal Edward Kennedy de Massachusetts, eles perderam a Casa Branca.

Os apoiadores de Hillary dizem que ela dará apoio total a Obama, e comentam que as diferenças entre ela e Obama são pequenas comparadas com as diferenças com McCain e os republicanos. Segundo a deputada Debbie Wasserman Schultz, da Flórida, que trabalhou duro por Hillary, o objetivo é que os apoiadores de Hillary aceitem a dica e apóiem Obama.

Ainda assim, há planos para uma caminhada na terça-feira patrocinada pelo grupo das 18 milhões de vozes pró-Clinton, remetendo ao número de votos que a senadora teve durante as primárias. E esse é um ponto a ser explorado pelos republicanos. A assessora de McCain, Carly Fiorina, ex-presidente da Hewlett-Packard, está tentando se encontrar com os delegados de Hillary. Junto aos republicanos, está a ex-delegada de Hillary, Debra Bartoshevich de Wisconsin que foi expulsa do partido depois de dizer que seu voto era de McCain. 

Enquanto alguns democratas de Hillary chegaram furiosos por Obama não ter considerado seriamente a possibilidade de tê-la como vice, Wasserman Schultz disse que a escolha do veterano senador Joseph Biden para compor a chapa foi uma válvula de escape para muitos apoiadores de Hillary. Se por um lado eles não podem tê-la como vice-presidente, por outro Biden representa um líder em assuntos que eles consideram importante, como aborto, violência doméstica e emprego.

Outra apoiadora de Hillary, a senadora por Washington Maria Cantwell, disse que Clinton gosta muito de Biden, e provavelmente fará referência a ele em seu discurso devido à devoção de ambos aos assuntos da classe trabalhadora e das mulheres.

Por JACKIE CALMES

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