"Partícula de Deus" pode ser composta por cinco outras partículas

Afirmação é sugerida por evidências de um novo experimento atômico

The New York Times |

A "partícula de Deus" pode na verdade ser composta por cinco partículas distintas, sugerem evidências de um novo experimento atômico. Conhecida como bóson de Higgs, a partícula teórica tem sido há muito buscada por físicos que acreditam que ela é responsável por toda a massa do universo e por isso foi apelidada de "partícula de Deus".

Ela é também um dos alvos dos experimentos do Grande Colisor de Hádrons (conhecido como LHC), que começou a quebrar as partículas subatômicas na metade de sua potência máxima em março. De acordo com um modelo amplamente aceito da física, todas as partículas adquirem sua massa por meio da interação com o bóson de Higgs.

Mas algumas teorias dizem que o bóson de Higgs não é uma, mas sim várias partículas com massas semelhantes, mas diferentes cargas elétricas. Agora, pesquisadores do Fermilab, em Batávia, Illinois, disseram ter encontrado mais evidências para essa teoria de partículas múltiplas.

Em um experimento chamado DZero no laboratório do colisor de partículas Tevatron, os cientistas descobriram recentemente que as colisões de prótons e antiprótons produziam pares de partículas de matéria com mais frequência do que os pares de partículas de antimatéria.

A diferença é menor do que 1%, mas não pode ser explicada pelo modelo padrão que pressupõe a existência de um único bóson de Higgs, disse o coautor do estudo, Adam Martin, um físico teórico do Fermilab. "É um efeito muito pequeno, mas ainda é muito maior do que se você aceitar pelo que é dito na regras originais do modelo padrão", disse Martin.

"O modelo padrão com apenas uma partícula de Higgs é muito mínimo para explicar o resultado do experimento DZero."

Os resultados do experimento DZero podem, contudo, ser explicados se os cientistas assumirem que o bóson de Higgs é na verdade composto por cinco partículas do mesmo modelo padrão. "Quando  ampliamos o modelo padrão, o colocamos em novas partículas e novas interações", disse Martin, cujos resultados foram publicados recentemente no site de pesquisa em física arXiv.org.

"Essas novas interações podem até mesmo tratar a matéria e antimatéria de maneiras diferentes e, portanto, conduzir a efeitos maiores nos experimentos."

Se existem múltiplos bóson de Higgs, estes podem interagir com a matéria de maneira diferente, o que poderia levar a novas formas de física ainda não descobertas dentro do modelo padrão, dizem os cientistas. "Diversos esquemas para estender o modelo padrão incluem como primeiro passo acrescentar mais partículas ao bóson de Higgs", disse Martin.

Chris Quigg é um físico teórico, também do Fermilab, mas não esteve envolvido no estudo. Apesar de "bastante provocantes", os resultados ainda são preliminares, ressaltou Quigg.

"Não sei de nada que me faça duvidar explicitamente do resultado, mas quando algo é tão inesperado e tão sutil assim é preciso tempo", disse Quigg. "É importante não pularmos de alegria tão cedo sobre isso."

Se a equipe de Martin estiver certa e o bóson de Higgs for realmente composto por cinco partículas diferentes, então isso deve poder ser detectado pelo LHC na Suíça.

"Na nossa interpretação", Martin disse, "esse bóson de Higgs não pode ser muito pesado, por isso, devemos vê-lo definitivamente na era do LHC."

David Evans, físico da Universidade de Birmingham e chefe de projeto ALICE do LHC , acrescentou por e-mail: "Pessoalmente acho que é pouco provável que tenhamos cinco diferentes partículas no bóson de Higgs." "Mas, se isso foi provado, a existência do LHC se tornou ainda mais emocionante".

* Por Ker Than

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