Parques nacionais americanos buscam atrair mais visitantes negros

Serviço Nacional de Parques americano tem como questão urgente diversificar visitantes e força de trabalho

The New York Times |

Quando Shelton Johnson tinha 5 anos, sua família o levou ao Parque Nacional de Berchtesgaden, nos Alpes da Baviera. Até hoje ele lembra da sensação de deslumbre. "As montanhas e o céu, tudo tão perto – aquilo me afetou profundamente", disse Johnson, que agora trabalha como guarda no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia.

Em 23 anos no cargo, Johnson, 52 anos, ficou igualmente impressionado com a pouca quantidade de visitantes afroamericanos como ele aos parques nacionais, incluindo o Yosemite. Alguns anos atrás, ele decidiu fazer algo a respeito.

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Johnson ficou impressionado com a pouca quantidade de visitantes afroamericanos
Em uma melancólica carta a Oprah Winfrey, ele escreveu: "Ano após ano, a América está se tornando cada vez mais diversificada, mas essa diversidade não se reflete nos parques nacionais, apesar de afroamericanos e outros grupos terem desempenhado um papel fundamental na sua fundação. Se os parques nacionais são o quintal da América, então por que não estamos usando estes que são os lugares mais bonitos do país?".

Na semana passada, o programa televisivo The Oprah Winfrey Show dedicou uma hora inteira a um segmento que foi gravado em Yosemite em resposta ao apelo de Johnson. A segunda parte do programa foi transmitida na semana passada.

O problema dos visitantes é uma questão urgente para o Serviço Nacional de Parques, que está expandindo seus esforços para diversificar os seus visitantes e sua força de trabalho conforme a agência se prepara para celebrar seu centenário em 2016.

Estimativas

Estudos e pesquisas mostram que os visitantes dos 393 parques nacionais – um total de 285,5 milhões em 2009 – são predominantemente brancos não-hispânicos, com os negros sendo o grupo menos propenso a visitar. Essa realidade não mudou desde 1960, quando foi identificada como um problema. Agora, o Serviço de Parques diz que o problema está ligado à própria sobrevivência dos parques.

"Se o público americano não sabe que existimos ou não se importa, nossa missão está em risco", disse Jonathan B. Jarvis, que assumiu como diretor do Serviço de Parques no ano passado. "Há um descompasso que precisa ser resolvido".

O Serviço de Parques não registra o número de visitantes de cada parque por raça ou etnia. Mas em uma ampla pesquisa que encomendou em 2000, apenas 13% dos entrevistados negros relataram visitar um parque nacional nos dois anos anteriores. Isto em comparação com 27% dos latinos, 29% dos asiáticos e 36% dos brancos.

Jim Gramann, cientista social do Serviço de Parques que está supervisionando a revisão de uma nova pesquisa realizada entre 2008 e 2009 que será lançada no início do próximo ano, disse que a diferença persistiu.

"O rosto demográfico da América não se reflete na visitação dos parques nacionais, com algumas exceções", disse Gramann. "Principalmente nos grandes parques da região oeste, os visitantes são predominantemente brancos não-hispânicos, altamente educados e afluentes", disse.

*Por Mireya Navarro

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