Parque vira depósito de entulho em cidade atingida por tsunami no Japão

Desde terremoto de 11 de março, mais de 1 milhão de toneladas de entulho ocupam área em Sendai; limpeza custará mais de US$ 1 bilhão

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Ainda há engarrafamento na Hama Kaido, estrada de duas pistas paralela à praia da antiga cidade costeira de Sendai. Mas os carros que circulavam em busca de um bom local para um piquenique, campos de golfe e passeios a cavalo foram substituídos por milhares de caminhões de lixo.

A cidade transformou o imenso parque à beira mar atingido pelo tsunami em um depósito para o mais de 1 milhão de toneladas de entulho que deve ser coletado durante os próximos três anos. Com isso, o quintal da frente da cidade foi transformado no local de descanso final dos detritos criados pelo desastre que atingiu a região há quatro meses.

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Parque à beira mar atingido pelo tsunami foi transformado em depósito para mais de 1 milhão de toneladas de entulho
A limpeza deverá custar pelo menos US$ 1,3 bilhões, com a maioria do financiamento concedida pelo governo central do país.

Sendai não perdeu tempo em usar o dinheiro. No centro de Sendai, com seus modernos prédios de escritórios, lojas de luxo e avenidas largas, é preciso procurar muito para encontrar evidências do mais forte terremoto que já atingiu o Japão. Mas poucos quilômetros a leste, em direção ao oceano, a destruição é chocante.

Apesar de uma notável quantidade de entulho já ter sido removida, carros, tratores, barcos e casas permanecem atolados em campos tomados pela água do mar que devem ser totalmente drenados antes que o arroz possa ser plantado novamente.

Muitas das cerca de 9 mil casas destruídas no desastre em Sendai ficavam ao longo deste trecho de litoral. Algumas das casas abandonadas que permanecem em pé tornaram-se oficinas improvisadas para soldadores, pedreiros e carpinteiros.

A devastação teria sido pior se os bancos de uma estrada elevada a cerca de dois quilômetros no interior não tivessem servido de amortecedor contra as ondas.

A cidade tem removido detritos das estradas, casas e fábricas para dar início aos esforços de reconstrução, mas também para devolver um sentido de normalidade a uma região virada do avesso, tanto física quanto psicologicamente, em questão de horas, no dia 11 de março.

Os três incineradores sendo construídos em 250 acres do ex-parque começarão a operar até o final do ano. Por enquanto, os caminhões depositam ali entulhos retirados das ruas, casas, fábricas e terras agrícolas da cidade, seis dias por semana.

Aterros

No Japão estreito e montanhoso, aterros sanitários custam caro. Assim, a cidade planeja reciclar metade do que recolheu, em vez dos habituais 30%. Isso irá gerar receita extra com a venda de metais e outros itens e talvez possa dar aos trabalhadores responsáveis pelo depósito de entulhos uma sensação de renovação.

"É sem dúvida triste o que aconteceu aqui", disse Hiromichi Fujikata, gerente que supervisiona as operações no depósito de entulhos, um dos três já em uso, perto da costa. "Mas esse trabalho me dá a sensação de que estou fazendo algo que de outra forma seria desperdiçado".

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Estimativa é que entulho seja retirado nos próximos três anos

*Por Ken Belson

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