Para se eleger prefeito, Rahm terá de provar residir em Chicago

Ex-chefe de gabinete de Obama vê candidatura à prefeitura de Chicago contestada por residentes que sempre o viram em Washington

The New York Times |

AP
Rahm Emanuel testemunha perante a Comissão Eleitoral de Chicago
A campanha de Rahm Emanuel para se tornar prefeito de Chicago parecia um jogo político perfeitamente orquestrado: apertos de mão sorridentes nas estações de trem durante a manhã, passeios acompanhados por câmeras em bairros afastados, pronunciamentos sobre educação, energia, polícia.

Então veio terça-feira de 14 de dezembro. Emanuel, ex-chefe de gabinete da Casa Branca e um veterano de campanhas políticas, viu-se sentado numa sala de reunião lotada e obrigado a responder – sob juramento – a um interrogatório longo, feroz, pessoal e, por vezes, peculiar de habitantes de Chicago que acreditam que ele não deveria ter permissão de concorrer ao cargo.

A questão central na audiência: se Emanuel, que serviu o presidente Barack Obama em Washington até outubro, é elegível para concorrer ao cargo de prefeito nas eleições de fevereiro, uma vez que o posto exige que os candidatos sejam moradores da cidade por um ano antes da eleição.

A audiência foi presidida por um comitê eleitoral oficial e conduzida em um formato semelhante ao de um julgamento (completo com suas acusações). Alguns dentre os 30 moradores de Chicago que apresentaram reclamações formais à candidatura de Emanuel replicavam em voz alta a alguns dos seus comentários ("ah, claro!"), filmavam os procedimentos e foram autorizados a fazer suas próprias, e nem sempre profissionais, perguntas.

"Emanuel, você sabe a definição da palavra 'residir'?", perguntou um deles. E Emanuel foi obrigado a ler a definição da palavra em um dicionário. "Emanuel, você tem fotos para provar que alguns dos pertences de sua família, como o vestido de casamento de sua esposa, estavam realmente em Chicago?" "Não", Emanuel respondeu ao morador que usava um broche com os dizeres "INDICIE RAHM" em sua camisa e perguntou o que Emanuel sabe sobre chantagem e suborno.

Emanuel, que é conhecido por sua língua afiada e sua impaciência com as perguntas que não lhe interessam, respondeu de maneira controlada, calma e, às vezes, quase inaudível.

Seus advogados alegam que Emanuel, que nasceu em Chicago, representou um distrito do Norte da cidade no Congresso, possui uma casa em um bairro arborizado e nunca desistiu de sua residência legal quando foi trabalhar na Casa Branca.

Críticos de Emanuel dizem que ele desistiu da residência quando a alugou para ir morar em outro lugar, apesar de ter feito um punhado de visitas (durante as quais se hospedou em hotéis), e que apresentou declarações de imposto de renda em 2009 como apenas como um morador parcial do Estado. (Seu imposto foi recentemente alterado para morador durante todo o ano.)

Após o procedimento, um auditor deve fazer uma recomendação ao conselho eleitoral de Chicago, que decidirá se o nome de Emanuel aparecerá nas cédulas. A questão está quase certa, mas não termina aí. Qualquer resultado deverá ser contestado em tribunal.

* Por Monica Davey

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