Para Peru e americana solta, muito mudou em 14 anos

Enquanto a antes rebelde Lori Berenson dedica-se hoje ao filho e à culinária, o Peru erradicou quase totalmente o terrorismo

The New York Times |

Quando Lori Berenson foi presa no Peru sob acusação de envolvimento com práticas terroristas há 14 anos, ela era uma ardente jovem de esquerda de Nova York participante de um obscuro grupo rebelde marxista que alarmou uma nação pacífica com declarações desafiadoras em apoio à revolução.

Agora que Lori, de 40 anos, recebeu liberdade condicional da prisão em Lima , capital do Peru, ela e a nação que a aprisionou mudaram significativamente.

Reuters
Lori Berenson é vista em audiência em Lima, no Peru
Embora seu passado ainda paire no ar, autoridades carcerárias e colegas de cela agora falam de seus dotes culinários, suas aulas de música e da devoção que dedica ao filho de um ano, Salvador.

Por outro lado, o Peru erradicou quase completamente suas ameaças terroristas, exceto por uma pequena facção maoísta alimentada pelo tráfico de cocaína em regiões remotas. O país dispõe de uma economia em crescimento e uma democracia que ainda busca lidar com o caos causado pelos guerrilheiros e suas próprias forças de segurança nas décadas de 1980 e 1990.

Ainda existe ressentimento entre o povo peruano a respeito do papel de Lori na violência daquela época, um sentimento que será difícil de evitar uma vez que ela terá de permanecer no país durante sua liberdade condicional. Quase 70 mil pessoas morreram em 20 anos de guerra com os rebeldes.

Ainda que Lori alegue inocência sobre as acusações de terrorismo, um tribunal peruano a condenou em 2001 de colaboração com o Movimento Revolucionário Tupac Amaru por alugar uma casa e preparar o grupo para o sequestro de membros do Congresso do Peru.

Considerando que dois presidentes americanos - Bill Clinton e George W. Bush - pressionaram o governo peruano a favor do caso de Lori sem conseguir uma libertação antecipada, a decisão da juíza de conceder liberdade condicional surpreendeu.

Jéssica Leon, juíza do caso, defendeu sua decisão em uma declaração divulgada na quarta-feira, alegando que foi feita com base em uma profunda análise psicológica de Lori e relatórios sobre seu bom comportamento nas prisões. O presidente Alan Garcia disse na quarta-feira que respeitará a decisão da juíza.

Após a sua prisão, Berenson passou vários anos em uma penitenciaria isolada. Foi lá que conheceu Anibal Apari, que também foi preso sob acusação de colaborar com rebeldes. Depois da libertação dele, eles se casaram em 2003.

Eles não formam mais um casal, explicou Apari, que também é advogado de Lori. Segundo ele, a americana pretende alugar um apartamento na capital e procurar trabalho como tradutora. Como parte de sua liberdade condicional, ela deve se apresentar a cada 30 dias para discutir sua experiências de trabalho e não pode consumir álcool. Ela também não pode deixar o Peru até 2015, quando sua sentença termina.

* Por Simon Romero

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