Para palestinos, campanha por adesão à ONU vale riscos

População se anima com perspectiva de ter Estado reconhecido pela ONU, apesar de não acreditar em mudança imediata

The New York Times |

Não está claro o que vai acontecer quando os palestinos apresentarem seu pedido de adesão à Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira. Mas a iniciativa tem envolvido um público palestino que havia se tornado profundamente cínico após 20 anos de intermitentes negociações de paz com os israelenses.

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Palestinos demonstram apoio à campanha por adesão à ONU em Ramallah, na Cisjordânia (13/09)

Muitos palestinos aqui no campo de refugiados de Kalândia, entre Ramallah e Jerusalém, afirmam estar animados com a perspectiva de que seu território seja declarado um Estado, mas reconhecem que isso não iria melhorar suas vidas imediatamente. Em vez disso, eles se preparam para eventuais medidas punitivas pelos Estados Unidos e Israel.

O pedido diante das Nações Unidas continua a ser uma aposta de alto risco para o presidente palestino Mahmoud Abbas. Seja ela bem ou malsucedida, a frustração dos palestinos tende a aumentar caso a sua realidade não mude.

Embora muitos palestinos digam que não preveem o surgimento de um terceiro levante, eles alertam que algo irá acontecer, eventualmente, se não houver progressos mensuráveis.

Durante a Assembleia Geral da ONU, a liderança palestina poderá apresentar seu pedido de reconhecimento como Estado ao Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos prometeram usar seu poder de veto, ou optar por um voto na própria Assembleia Geral, uma rota mais modesta que atualizaria a representação palestina a de um Estado observador não membro do órgão, comparável a do Vaticano.

Israel e os Estados Unidos tentam impedir o confronto por completo, alertando para consequências terríveis. Israel não expôs as consequências possíveis, mas alguns na direita do país pediram a suspensão da transferência das suas receitas fiscais para a Autoridade Palestina, o cancelamento de acordos e a anexação de território em que há blocos de assentamentos judaicos na Cisjordânia.Washington tem falado sobre o corte de financiamentos.

Em um reflexo da atitude conflituosa da liderança palestina em relação a sua própria iniciativa, Abbas parece querer sacudir as coisas no exterior, evitando mais confusão em casa.

Suas instruções são para que manifestações pacíficas aconteçam no centro de cidades palestinas, longe de qualquer ponto de atrito com os israelenses. O Exército israelense afirmou que irá tolerar manifestações palestinas dentro dos limites das cidades e que irá agir com moderação.

"As pessoas não estão interessadas em confrontos", disse Yusef Ehab, 18, que trabalha na loja de sua família no centro da cidade de Ramallah. Isso apenas serviria aos interesses israelenses, disse ele, “porque Israel está interessado em mostrar como os palestinos são violentos".

Por Isabel Kershner

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