Para Obama, um relato sobre a prática esportiva entre os chefes de Estado

Barack Obama ainda se move com a facilidade de um atleta e tem o arremesso canhoto para provar isso, juntamente com o campeonato colegial que conquistou, como estudante da escola Punahou no Havaí em 1979.

The New York Times |

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As estrelas do time foram Darryl Gabriel, Dan Hale e John Kamana, que representavam ameaças poliesportivas e seguiram carreiras na primeira divisão. Obama, que era então conhecido como Barry, ficou no banco.

Mas já não se questiona quem é a estrela da equipe de Punahou.

Como presidente eleito Obama se prepara para usar seu dom da retórica e organização para driblar os problemas do maior cargo do país, então ele pode estar interessado em saber quais outros chefes de Estado têm inclinações esportivas.

Uma turnê mundial por seus novos colegas:

Europa

Obama pode e deve marcar uma corrida com o presidente Nicolas Sarkozy da França, para quem os esportes, diga-se de passagem, parecem mais uma obrigação do que um prazer.


Sarkozy deve entrar na lista de convidados de Obama para uma corrida / AP

Obama também pode pegar emprestado o hobby do presidente Bush, e marcar uma pedalada com Anders Fogh Rasmussen, primeiro-ministro da Dinamarca. O presidente e o primeiro-ministro passearam de mountain bike juntos no rancho de Bush no Texas no começo deste ano, mas o dinamarquês também gosta de estradas pavimentadas.

No último verão, a convite do ciclista Bjarne Riis, Rasmussen participou da difícil fase montanhosa da competição Tour de France, depois que os profissionais terminaram sua rodada.

No entanto, é melhor que Obama evite o lado esportivo do primeiro-ministro russo Vladimir V. Putin, um homem forte em todos os sentidos. Putin é especialista em judô e ex-campeão de sua cidade natal, St. Petersburgo, e ele não se importa em tirar a camisa em público para lembrar a todos sobre sua forma física.

Uma viagem de barco com o rei Juan Carlos da Espanha, velejador olímpico em 1972, parece mais relaxante. Bem como uma visita a Mônaco. O príncipe Albert, cinco vezes campeão olímpico em bobsledding, está sempre disposto a um exercício para combater o tédio de seu principado. Como Obama, Albert frequentou a faculdade no noroeste dos Estados Unidos (ele foi para Amherst; Obama para Colúmbia).

Mas se Obama procura por um esporte familiar longe de casa, ele deve marcar encontros na Suécia e Montenegro. O primeiro-ministro Fredrik Reinfeldt da Suécia e o primeiro-ministro Milo Djukanovic de Montenegro foram ótimos jogadores de basquete quando jovens e ambos estão mais próximos da juventude do que o presidente eleito de 47 anos dos Estados Unidos. Djukanovic é um ano mais novo (e alguns centímetros mais alto). Reinfeldt tem apenas 43 anos.

América do Sul

A Argentina é a grande potência no basquete da região, mas sua presidente, Cristina Fernandez de Kirchner, restringe seu tempo nas quadras aos momentos de fotografias oficiais com ícones nacionais como Manu Ginobili.

O líder sul americano mais apaixonado por esportes reside na Bolívia, onde o presidente Evo Morales torce mais pelo futebol do que pela influência americana na sua região. Mas Morales não é apenas fã do esporte, ele conseguiu evitar a proibição da Fifa para jogos em altitudes excessivas, como a da capital La Paz.


Evo Morales durante uma partida de futebol / AP

Morales ainda joga regularmente aos 47 anos e participou de um jogo da segunda divisão no começo do ano no qual usou a tradicional camisa 10.

América do Norte

Com o antigo jogador de baseball Fidel Castro fora do poder de Cuba, não há competição atlética real para Obama em sua própria região. Mas Stephen Harper certamente sabe jogar hockey (uma paixão útil para um primeiro-ministro canadense). Harper é torcedor do Toronto Maple Leafs e tem uma enorme biblioteca pessoal sobre o esporte, além de estar escrevendo seu próprio livro sobre a história do jogo no seu país.

África

O ex-jogador do A.C. Milan George Weah perdeu a disputa eleitoral na Libéria em 2005. Mas ainda há talentos esportivos no poder africano, incluindo o novo primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, que é da mesma tribo Luo que o pai de Obama e que também jogou futebol profissionalmente, ainda que longe da série A, como meio-campo do Luo Union.

Mas Odinga, 63, com preocupações políticas para manter a paz no país, já não corre tanto e se Obama quer um desafio a sua altura melhor seguir para a Tanzania, onde o presidente, Jakaya Kikwete, também jogou basquete. O problema é que, Obama terá que se esforçar para chamar atenção. O presidente Bush foi até Dar es Salaam em fevereiro, e levou um par de tênis de basquete tamanho 52 do astro da NBA Shaquille O'Neal. Kikwete retornou a visita e veio a Washington em agosto onde assistiu a um jogo da liga WNBA.

Ásia

O único atleta olímpico a liderar um país é Taro Aso, o novo primeiro-ministro do Japão, que representou o país no tiro ao alvo nos jogos de 1976 em Montreal. Mas não há falta de esportistas na região.
Tayyip Erdogan, primeiro-ministro da Turquia, jogou futebol semi-profissional por quase 20 anos.


Taro Aso foi atleta olímpico e ameaça Obama nos esportes / AP

Quanto à realeza, o rei Bhumibol Adulyadej da Tailândia, o chefe de Estado há mais tempo no poder, conquistou medalha de ouro em vela nos Jogos Asiáticos de 1967. Mohammed bin Rashid al-Maktoum, xeque de Dubai nos Emirados Árabes Unidos, têm cavalos que conquistaram prêmios em disputas internacionais .

Os líderes da China, alguns dos quais Obama irá conhecer, também demonstraram interesse nos esportes como uma ferramente de marketing do  país (basta lembrarmos da grandiosa Olímpiada de Pequim). Mas também há genuíno interesse no esporte por trás da construção da nação.

O presidente Hu Jintao joga tênis bem o suficiente para se mostrar diante das câmeras contra adversários mais jovens, que possivelmente não têm interesse em fazer o líder chinês parecer ruim.

O premiê chinês, Wen Jiabao, gosta de basquete e foi fotografado no começo do ano treinando com a seleção nacional. Wen, então com 65, usava roupas comuns, mas fez sucesso ao arremessar (como Obama) com a mão esquerda.

Oceania

Com suas raízes havaianas, Obama deve ter poucos problemas em se relacionar nesta região do mundo. O atleta-político a se conhecer mora na ilha de Oahu, onde Obama frequentou a escola durante o ensino médio. Marcus Stephen é presidente de Nauru, a menor república independente do mundo.

Stephen, que assumiu o cargo no ano passado, já ganhou cinco medalhas de ouro nos Jogos da Comunidade como levantador de peso. Ele também é um atleta olímpico. Mas o peso maior está por vir. Stephen disse à Assembleia Geral da ONU este ano que "o aquecimento global deve elevar o nível do mar em um metro este ano".

"Isso inundará nossa única terra habitável", ele disse. "Nosso povo ficará literalmente preso entre o mar em ascensão e um inabitável campo de corais"

E Obama acha que ele tem problemas.

Por CHRISTOPHER CLAREY

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