Para o sul, a segurança na política nacional diminui com a eleição

VERNON ¿ O medo da política com um nome e uma aparência diferente não terminou com a votação de terça-feira passada nas regiões rurais conservadoras, onde cabeças de alces e espingardas são penduradas nas paredes. Esse canto do extremo sul ainda ressoa seus sentimentos negativos sobre a raça do presidente eleito Barack Obama.

The New York Times |

No entanto, o que acabou no dia da eleição é a centralização do sul na política nacional. Ao votar tão enfaticamente no senador John McCain ao invés de Obama ¿ apoiando-o em maior quantidade do que ao presidente Bush em algumas áreas ¿ eleitores do Texas até a Carolina do Sul e Kentucky acabaram marginalizando suas regiões por algum tempo, disseram especialistas em política.

A ausência da fórmula usada por Obama para ganhar em algumas regiões significa que estão se tornando claramente menos importantes, disse Wayne Parent, cientista político da Universidade do Estado de Louisiana. O sul deixou de ser o centro do universo político para ter um papel fora da política presidencial.

Uma razão para isso é que o sul não é mais um bloco de eleitores sólido. Ao longo da costa do Atlântico, partes do sul suburbano, especialmente a Vírginia e a Carolina do Norte, fizeram história na semana passada ao romper com seu passado de confederação e apoiar Obama. Esses Estados experimentaram uma corrente de eleitores melhores educados e mais prósperos nos últimos anos, apontando-os para uma direção política diferente do que os outros Estados do extremo oeste, como o Alabama, Arkansas, Louisiana e Mississipi e Apalaches, região que faz parte do Kentucky e do Tennessee.

As regiões localizadas mais no sul que tiveram voto republicano em peso neste ano do que em 2004 tendem a ser mais pobres, ter menos educação e serem brancos, segundo uma análise de estatísticas feita pelo New York Times. Obama ganhou apenas em 44 regiões no cinturão do Apalaches, um prolongamento de 410 regiões que vai de Nova York até o Mississipi. Muitas dessas regiões, rurais e isoladas, foram menos expostas à diversidade, ao sucesso educacional e a experiências de progresso econômico que áreas mais prósperas.

O aumento da virada no sul, então chamado Cinturão Preto, ou regiões rurais, estava visivelmente nos resultados, mas no geral não poderiam superar o apoio sólido dos brancos à McCain. O Alabama, por exemplo, teve uma grande virada entre os negros e votou um pouco mais nos democratas do que em 2004, mas o Estado completo deu 60% de seu voto para McCain (o Arkansas, no entanto, dobrou a margem de vitória que foi dada para o republicano em 2004).

Menos de um terço dos brancos sulistas votaram em Obama, comparado com 43% dos brancos de todo o país. Ao deixar a decisão final tão decisiva, o extremo sul e o Apalaches não poderá mais ser dito que a vitória dos democratas foi por causa das adesões a políticas conservadoras em assuntos como bem-estar e política de impostos, dizem especialistas.

Isso pode ser o fim da então chamada estratégia sulista, doutrina que tomou forma na presidência de Nixon na qual as eleições nacionais foram ganhas ao optar por brancos como membros de organizações de questões raciais. E a sulinização da política americana ¿ que alcançou seu apogeu nos anos 90 quando muitos líderes do Congresso e o presidente Clinton eram do sul ¿ parece ter acabado.

Parece que isso está totalmente acabado, disse Thomas Schaller, cientista político que argumentou profeticamente que os democratas poderiam ganhar as eleições nacionais sem a ajuda do sul.

Enquanto isso, os republicanos se tornaram um partido sulista, disse Schaller, que é professor na Universidade de Maryland, no condado de Baltimore. Eles se marginalizaram completamente para um partido majoritariamente regional, disse, apontando que quase metade da delegação republicana é do sul.

Merle Black, especialista na política da região na Universidade Emory em Atlanta, disse que o Partido Republicano foi muito longe ao apelar para o sul, alienando os eleitores de outros lugares. Eles conseguiram o limite máximo no sul, disse, o que acabou limitando seus recursos no resto do país.

Por ADAM NOSSITER

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