Para mulheres marines, chá é arma no Afeganistão

Expostas a tiros e ataques a bomba, militares americanas tentam aproximação com população feminina afegã

The New York Times |

Elas esperavam chá e não tiroteios. Mas três mulheres marines acabaram alvo de tiros em uma tarde recente, juntamente com sua patrulha, quando uma rajada de fuzil Kalashnikov foi disparada de um prédio nas proximidades. O grupo se abaixou no chão, rastejou até uma vala e apontou suas armas para além dos campos de algodão e milho.

Diante de si, elas podiam ver a origem do ataque: um homem afegão que havia disparado a esmo detrás de uma parede de lama, protegido por uma meia dúzia de filhos. As mulheres não atiraram para não atingir as criança, esperaram o sinal verde e voltaram para a base, sobreviventes de mais um encontro com o inimigo.

"Você acaba sempre sentindo a mesma coisa: 'Ó, meu Deus, estão atirando em mim'", disse a oficial Stephanie Robertson, 20 anos, falando dos tiroteios que se tornaram parte de sua vida em Marjah.

The New York Times
Stephanie Robertson (segunda da direta para a esquerda) faz parte de equipes de trabalho que tentam aproximação com mulheres afegãs
Seis meses atrás, Stephanie chegou ao Afeganistão com 39 outras mulheres marines do Campo Pendleton, na Califórnia, como parte de uma experiência incomum das Forças Armadas americanas: o envio em tempo integral "de equipes femininas de trabalho" com patrulhas de infantaria do sexo masculino na província de Helmand, para tentar conquistar as mulheres da região rural do Afeganistão, que estão culturalmente fora dos limites para homens estrangeiros.

Chá como arma

Como novas faces em uma campanha americana contra a insurgência, as marines, que se voluntariaram para o trabalho, foram ao encontro de mulheres pashtun, tomando chá em suas casas, avaliando suas necessidades, coletando informações e ajudando a abrir escolas e clínicas.

Elas têm feito isso e muito mais. E, conforme seu destacamento de sete meses no sul do Afeganistão se aproxima do fim, a sua missão "chá como arma" é considerada um sucesso.

Mas as marines, que estiveram mais perto do combate do que a maioria das outras mulheres na guerra, também tiveram de usar armas de verdade em uma luta mais dura do que muitos esperavam.

Em Marjah – que, sete meses depois de uma grande ofensiva contra o Talibã, está melhorando, apesar de continuar sendo um dos lugares mais perigosos do Afeganistão – as marines têm diariamente contornado as regras do Pentágono que restringem os combates para mulheres. Elas entraram em fogo cruzado e emboscadas, foram atingidas por bombas caseiras e viveram em bases atingidas por ataques de morteiro.

Nenhuma das 40 mulheres foi morta ou gravemente ferida, e muitas trabalharam em áreas estáveis onde o tiroteio parou, mas muitas viram bons amigos morrer.

Para a capitã Emily Naslund, 27 anos, comandante das mulheres, os sacrifícios e as frustrações têm valido a pena. "Este vai ser o ponto alto da minha vida", ela disse.

*Por Elisabeth Bumiller

    Leia tudo sobre: afeganistãoeuaexército americanomarinesmulhereschá

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG