Para Israel, lições de 2006 e antigos perigos

JERUSALÉM - Desta vez, comandantes militares israelenses lideram do fronte, ao invés de tentar comandar a infantaria através de televisores. Desta vez, os militares têm planos claros, em estágios, preparados com um ano de antecedência. Desta vez, não há ilusões sobre se vencer uma guerra apenas com ataques aéreos. Desta vez, o chefe de equipe dos militares manteve silêncio em público, todos os celulares foram confiscados dos soldados israelenses e a imprensa internacional mantida fora do campo de batalha.

The New York Times |

    Destas e de muitas outras maneiras, Israel tem aplicado as lições que aprendeu de sua guerra perdida contra o Hezbollah no sul do Líbano em 2006 ao conflito atual contra o Hamas em Gaza. Mas a falha de Israel no Líbano também veio de sua incapacidade política e diplomática de optar por objetivos claros como resultado da guerra e neste quesito as lições do Líbano não foram tão bem aplicadas, de acordo com oficiais militares israelenses e analistas políticos.

    Além disso, há os eventos súbitos que podem desestabilizar muitos cálculos meticulosos e que simbolizam os horrores de uma guerra (como a morte de civis nas mãos de Israel em Qana, Líbano, tanto em 1996 quanto em 2006, além dos relatos da morte de mais de 40 pessoas na terça-feira, incluindo crianças, atingidas ao buscar abrigo em uma escola da ONU em Gaza).

    Ainda que os relatos do que exatamente aconteceu na noite de terça-feira sejam incertos, com oficiais israelenses sugerindo que o prédio da escola foi usado para o disparo de morteiros, as mortes irão revoltar estômagos em todo o mundo e aumentar a pressão sobre Israel por um cessar-fogo precoce.

    "Todos estão conscientes de que devemos agir de forma diferente do que em 2006", disse Mark Heller, diretor de pesquisa do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv, citando investigações pós-guerra realizadas pelos próprios militares e pela Comissão de Winogrado, que criticou tanto líderes políticos quanto militares pela fraca preparação e performance no conflito.

    Depois da guerra contra o Hezbollah, tanto o chefe de equipe, o general Dan Halutz, ex-comandante da Força Aérea, quanto o ministro da Defesa, Amir Peretz, ex-líder sindicalista, pediram demissão. Seus substitutos (o general Gabi Ashkenazi, da infantaria, e Ehud Barak, ex-chefe de equipe e heroi combatente) fizeram muito para melhorar as forças militares israelenses e restaurar a confiança pública em suas habilidades.

    Do ponto de vista político, o primeiro-ministro Ehud Olmert tem sido mais cuidadoso desta vez ao declarar objetivos ambíguos e modestos para o conflito, ao contrário de suas promessas extravagantes de dois anos atrás de destruir o Hezbollah.

    Mas a ambiguidade também faz parte de discordâncias políticas e a confusão entre os líderes israelenses que promove fraca coordenação das ações militares e objetivos diplomáticos. Ainda não se sabe como decidir quando concluir a ofensiva e o que constituiria uma vitória.




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