Para Emanuel, caminho até prefeitura de Chicago terá obstáculos

Apesar de menos concorrentes, ex-chefe de gabinete de Obama terá de buscar apoio em meio à política mesquinha e racista da cidade

The New York Times |

Rahm Emanuel tirou o paletó e liderou um desfile de câmaras de televisão pela rua 26 na semana passada, portando-se – com sua confiança para os carros que passavam e sua mensagem firme para os microfones – como o próximo prefeito desta cidade.

A possibilidade parece mais próxima do que nunca. Desde que Emanuel abandonou seu trabalho como chefe de gabinete da Casa Branca no mês passado, a quantidade de candidatos a suceder o prefeito Richard M. Daley, que está se aposentando, tem diminuído.

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Ao lado de sua família, Rahm Emanuel (D) anuncia candidatura à prefeitura de Chicago
E quando Emanuel apresentou petições contendo milhares de assinaturas para tornar sua proposta oficial, alguns dos presentes no que antes parecia uma interminável lista de possíveis candidatos – incluindo um xerife e vários deputados estaduais e federais – desistiram. Isso acontece em parte, muitos em Chicago suspeitam, por causa do que significa concorrer contra Emanuel.

Alguns dirigentes de estabelecimento empresariais de Chicago se alinharam a favor de Emanuel, incluindo Glenn F. Tilton, presidente da United Continental Holdings, companhia aérea combinada cuja sede corporativa fica na cidade. Tilton será um dos anfitriões de uma festa para arrecadar fundos para a campanha de Emanuel.

Apesar do apoio, também é certo que a eleição que acontecerá em fevereiro, a primeira disputa na cidade em muitas décadas, representará obstáculos para Emanuel. No caso de seu tempo na Casa Branca tê-lo protegido, Emanuel terá alguns lembretes rápidos de como é a política em Chicago: corajosa, mesquinha, racista, complicada e nunca maçante.

Mesmo conforme Emanuel vagava ao longo da rua 26, em um bairro predominantemente latino conhecido como Little Village, alguém gritou o nome de um adversário – "Miguel del Valle!" – de uma janela aberta de um carro. Alguém jogou um ovo, que caiu não muito longe de Emanuel, que partiu em poucos minutos.

Destaques

Não há nenhum vitorioso na disputa, mas os outros candidatos também estão concentrados em Emanuel. Carol Moseley Braun, ex-senadora que deve concorrer ao cargo disse que Emanuel "preparou a cama e correu depois de armar a maior perda de políticos do Partido Democrata em 27 anos", deixando o presidente Obama "na mão".

Gery Chico, ex-chefe de gabinete de Daley, zombou Emanuel por realizar uma festa para arrecadação de fundos em Hollywood, na Califórnia, um evento que teria a participação de pessoas como o roteirista Aaron Sorkin.

Há também a questão do homem que veio a ser conhecido aqui como "inquilino" – Roy Halpin alugou a casa de Emanuel em Chicago quando este foi para Washington e se recusou a sair quando Emanuel repentinamente voltou para a cidade e agora afirma, com toda a seriedade, que também irá concorrer à prefeitura.

Requisito

Halpin, um corretor imobiliário que afirma que sua ideia de concorrer à prefeitura não tem relação com Emanuel, só serviu para ressaltar as questões jurídicas que os críticos de Emanuel esperam usar para saber se ele atende ao requisito de residência para poder concorrer.

"O lance é o seguinte ", Emanuel disse rispidamente quando questionado sobre Halpin enquanto tentava explicar a sua visão para o desenvolvimento econômico de Chicago diante dos repórteres. "Meu trabalho, OK, será concentrado no que eu ouvi na Ford, no que eu ouvi aqui em Little Village, no que eu ouvi na Freedman – como criar empregos, como ajudar a cidade a crescer economicamente para que as pessoas possam criar uma família, educar seus filhos, começar um negócio ou expandir um negócio ou conseguir um emprego em uma dessas empresas". Sobre Halpin, Emanuel continuou, "eu não vou me envolver ou comentar o que eu considero basicamente jogos e truques políticos".

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Emanuel abandonou chefia do gabinete de Obama na Casa Branca para concorrer
Essa não é uma época fácil para se ser o prefeito de Chicago. A cidade tem lutado para manter os negócios de convenções, viu o seu crédito rebaixado, tem utilizado recursos de operações de privatização para equilibrar seu orçamento e pode enfrentar déficits orçamentários anuais de mais de US$ 1 bilhão, incluindo as pensões.

Os eleitores, porém, parecem ver uma marca conhecida em Emanuel, que cresceu na área de Chicago, trabalhou em campanhas políticas locais e representou um distrito de North Side na Câmara dos Deputados. Por mais de 20 anos, Daley, como seu pai, Richard J. antes dele, tomaram conta da prefeitura com um punho firme (e com pouca paciência para aqueles que não veem as coisas à sua maneira). Para alguns, o estilo de Emanuel – determinado, implacável, intimidador – é parecido.

Emanuel – que anunciou no sábado o que era até então óbvio, que ele realmente irá concorrer à prefeitura – promete mudanças políticas em matéria de criminalidade, educação e finanças da cidade nos próximos meses. Ele já disse que este não é o momento de "falar sobre aumento de impostos". Emanuel disse que quer mudar a cultura do governo da cidade para que não seja um jogo apenas para os que “estão por dentro”, quer a eliminação progressiva dos imposto pagos por cabeça pelas empresas e reduzir os contratos sem licitação.

Jogador

Juan Rangel, um apoiador político de longa data de Daley, comparou Emanuel a um famosos ex-jogador e treinador do Chicago Bulls, dizendo que ele é um dos "Mike Ditkas" do mundo, alguém cujo senso de "propósito e foco", como o de Daley, sempre o levará ao cerne das questões. "Essa é uma cidade do tipo carne com batatas ", disse Rangel.

No entanto, divisões sobre etnia, raça e geografia já estão surgindo. Até o momento, Emanuel é o único candidato branco que anunciou formalmente sua candidatura. Pessoas como Rangel, que é latino e líder da Organização de Bairros Unidos, um proeminente grupo latinoamericano, tem sido criticado por seu apoio a Emanuel e não aos dois candidatos latinos.

Enquanto isso, um grupo de líderes afroamericanos reuniu-se durante um período de semanas para escolher um "candidato de consenso" para que seu poder de voto não seja dividido (e diluído) como em outros anos, após a morte de Harold Washington, o primeiro prefeito negro da cidade. Uma semana atrás, o grupo anunciou a indicação de Danny Davis, um congressista democrata de longa data, mas a noção de consenso parecia fraca e pelo menos outros dois candidatos negros são esperados.

Palavras de Obama

Há outro fator que também não pode ser medido: quanto as palavras de Obama afetarão os eleitores em sua cidade natal, particularmente os afro-americanos. Quando Emanuel estava deixando Washington, Obama o elogiou como alguém que seria um "ótimo" prefeito – um comentário que alguns viram como uma despedida educada de um chefe, mas outros lamentaram por causa da mensagem que enviou a Chicago, disse Davis.

"Há outros", disse Davis, "que acreditam que se ele tivesse feito um ótimo trabalho não teria perdido todas aquelas cadeiras?"

No último capítulo do jogo político local, alguns sugeriram na semana passada que Alexi Giannoulias, tesoureiro do Estado que perdeu sua candidatura à cadeira de Obama no Senado, foi convidado a participar da disputa pela prefeitura. Na sexta-feira, assessores disseram que Giannoulias rejeitou a ideia.

Segunda-feira foi o primeiro dia no qual era possível apresentar candidaturas e alguns disseram que planejavam se apresentar ao conselho eleitoral antes do amanhecer. A recompensa para quem estivesse na fila às 9h? A chance de competir em uma loteria que vai decidir a ordem de seus nomes na cédula.

Aparecer em primeiro lugar, acredita-se em Chicago, pode fazer toda a diferença.

*Por Monica Davey

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