Para conseguir se divertir, baladeiros seguem código de vestuário em NY

Linguagem secreta para se ter acesso à vida noturna da metrópole, roupas e estilo podem definir se noite será épica ou humilhante

The New York Times |

Os cavalheiros que preferem camisas Ed Hardy, aquelas com desenhos de dragões que aparecem em "Jersey Shore", não poderão entrar no Mulberry Project, o lounge de coquetéis subterrâneo localizado no bairro de Little Italy, em Nova York. Se você prefere camisas coloridas e listradas, não se incomode em tentar o clube Provocateur, no Meatpacking District. Calças jeans largas e de cintura baixa são o seu estilo? Muitos bares no East Village podem aceitar isso, mas não haverá espaço para você no Continental.

Os códigos de vestuário são a linguagem secreta da vida noturna da cidade de Nova York - fluência pode significar a diferença entre uma noite épica e um chute humilhante para a sarjeta.

"Não há nada que vista uma sala como uma multidão", disse Ian Parms, proprietário do Projeto Mulberry. "O ambiente da experiência são as pessoas ao seu redor, por isso é importante para nós selecionar pessoas ecléticas, interessantes e cativantes”.

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Patrick Wheet, door do Muberry Project, deixa clientes terem acesso a clube de Nova York
Além de ser inerentemente esnobe, tal seletividade gerou acusações de racismo. Em dezembro, a Comissão de Direitos Humanos de Nova York abriu uma investigação (ainda em andamento) sobre o Continental, um bar no East Village localizado na Terceira Avenida, por sua política "sem calças de gangue ou bling", que grupos de direitos civis chamam de uma manobra mal disfarçada para afastar os negros. Trigger Smith, dono do Continental, negou que esteja tentando excluir pessoas de uma determinada raça. "Acontece que as minorias vestem esse tipo de roupa”, disse ao jornal The New York Times em janeiro. "Não há um osso racista sequer em meu corpo".

Uma das razões pelas quais muitas pessoas podem ter achado a política do Continental difícil de engolir é a falta óbvia de interesse em moda no bar. Em uma típica noite de sábado, a mistura de pessoas encontrada no Continental vai de meninos de fraternidade e biriteiros de esportes – uma mistura não-irônica de jeans rasgados, mochilas sujos, bonés de beisebol e tênis. (Além disso, em uma visita em abril, a multidão era composta em cerca de 30% por negros).

Frequência

Mas a defesa de Smith revela uma verdade sobre os códigos de vestimenta mesmo nos mais exclusivos clubes noturnos da cidade: eles são frequentemente usados para evitar um certo tipo de pessoa. As roupas em si são secundárias.

Michael Satsky, proprietário do Provocateur, que fica no Hotel Gansevoort, admitiu que se esforça para manter o local livre dos meninos indies que rondam o bairro nos finais de semana. Felizmente para ele, eles são fáceis de identificar através de suas camisas.

"Nós não aceitamos xadrez, e nós não aceitamos listras", disse ele. O cliente ideal do Provocateur "não precisa usar listras exageradas em sua camisa para chamar atenção para si mesmo."

Satsky sugere que seus patronos vistam "um blazer, uma camisa lisa ou um suéter". Para as mulheres, os sapatos são fundamentais. "Salto de no mínimo cinco polegadas”, disse ele. "Christian são os nossos favoritos", acrescentou, referindo-se a Christian Louboutin, o estilista conhecido por suas solas vermelhas. Jimmy Choo e Christian Dior também são bem-vindos. Se a multidão no Provocateur for um indicador, ser europeu, lindo e ter pelo menos 1m80 também ajuda.

Flanela, shorts e outras modas típicas de um brunch não são bem-vindas na festa de champanhe e luxo conhecida como Day and Night Brunch, que até junho acontecia no Hotel Plaza, para socialites e financistas, e não para os hóspedes em busca de pão francês, disse Daniel Koch, que dirige a festa semanal com seu irmão gêmeo, Derek.

"Algumas pessoas de Los Angeles chegam e pensam que esse brunch é um brunch", disse Koch. "Nós temos de dizer, 'Olha, cara, isso não é o que você pensa que é. Aqui você não pode usar uma camiseta, a menos que seja uma estrela de rock’”.

Mas, então, como se vestir para um brunch que se assemelha a uma festa de solteiro de um oligarca russo? Mulheres devem considerar vestidos coloridos ou saias e evitar blusas com decotes. "Você não quer aquilo na sua cara no brunch", disse Koch, que agora realiza sua festa em locais diferentes a cada semana, incluindo Hamptons e St.-Tropez. Os homens "precisa se sobressair, talvez usar uma gravata borboleta ou, se precisar, sair e comprar um par de óculos de sol de US$ 400."

Nova-iorquinos que deixam a cidade no verão podem pensar que deixaram para trás esse julgamento superficial, mas estão errados – especialmente em South Pointe, o novo clube noturno do momento localizado em Southampton.

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Lauren Cosenza e as amigas Tiffany Jones e Vanessa Lennon vão a clube de Nova York
"Nós recebemos a multidão 'autêntica' dos Hamptons", disse Ben Grieff, o proprietário. “Pessoas que são realmente do Hamptons e não apenas as pessoas que dirigem até aqui para ver um DJ famoso", explicou. (Grieff esclareceu: "dos Hamptons" são pessoas cujos pais têm uma casa de veraneio no local desde que eles eram crianças, e não os agricultores da região.)

Afastar a multidão diferente significa uma política (embora não divulgada) que proíbe os cansados sandálias ou shorts comumente usados nas férias. Aqueles aspirantes aos Hamptons tendem a "simplesmente aparecer depois do jantar achando que tudo bem estar de shorts e sandálias", disse ele. Mas "nossos amigos se vestem como em um anúncio da marca Ralph Lauren". O que significa isso? "Jeans cônicos, sapatilhas, camisas coloridas, mulheres em vestidos elegantes".

Moda

Os dias em que os avisos de "paletó necessário" eram suficientes para garantir uma melhor frequência começaram a morrer após a Segunda Guerra Mundial, disse Anne Hollander, um historiador de moda e autor de "Seeing Through Clothes”. "À medida que os padrões de moda se tornaram mais descontraídos e a televisão e os filmes adotaram um papel mais central na cultura americana, as pessoas deixaram de se vestir de acordo com a sua classe e começaram a se vestir de acordo com a sua personalidade”.

"Hoje, as pessoas usam uma fantasia", disse ela. "Nós usamos aquilo como gostaríamos se ser vistos", seja um garoto emo, uma Guidette (ou Guido feminina) ou um gangster”.

Assim, o caminho mais seguro para os proprietários criarem uma atmosfera "certa" em seus clubes noturnos é manter a multidão que não querem do lado fora, proibindo algo essencial do seu estilo.

Ryan Dusheiko, gerente geral do Riff Raff, um clube tiki no distrito Flatiron, explica de maneira simples: "Não é o que você está vestindo, mas sim quem você é". (Os jovens confusos com o conceito tiki são encorajados a usar "um bom casaco esportivo e uma ótima camisa floral por baixo", disse Dusheiko. "Nós respeitamos a individualidade".)

Para os clientes, tal flexibilidade pode ser libertadora ou paralisante, dependendo do seu nível de conforto com a moda. Quem sabe o que você pode usar atualmente? Lauren Cosenza, uma maquiadora que vive em Nolita, disse que aprendeu a se vestir para o bairro e não para o clube noturno.

"Bairros diferentes refletem tribos diferentes", disse Cosenza, que pode ser encontrada em clubes como GoldBar, em Little Italy; Griffin, no Meatpacking District, e XIX, em Nolita, de 4 a 5 noites por semana. Por exemplo, os bares no Lower East Side preferem "tecidos naturais, jeans skinny em meninos e meninas, tecidos drapeados e cores suaves". O East Village é "mais rock 'n' roll com tons punk" (tente jeans rasgados ou envelhecidos). "O Meatpacking é o seu vestido de festa, o seu salto alto, a sua bolsas de grife." No Soho e Nolita vale tudo, ela contou.

"Uma vez eu vi uma mulher em calças de pijama no GoldBar", lembrou Cosenza, insistindo que ela estava ótima, graças aos acessórios certos – um "top fresco e sapatos grossos" – além, é claro, de toneladas de confiança. "Entrar em um lugar e saber que é ridículo, mas não ligar porque eu sou o máximo de pijama... Isso é muito Soho", disse.

É claro que muitos donos de clubes noturnos relutam em admitir que têm qualquer código de vestuário. Eles postulam que aceitam de tudo, desde que você seja visto com confiança.

"Há pessoas que usam camiseta, calça jeans e tênis e fazem com que pareça tão bom quanto um terno de três peças", disse Eugene Remm, que supervisiona o Tenjune e SL no Meatpacking District, “e há pessoas que podem usar um terno de três peças e parecer desleixadas”.

"A moda agora é totalmente pessoal", continuou Remm. "Então, é uma espécie de piada quando alguém diz: 'Esse é o nosso código de vestimenta’. O importante é como uma pessoa se mantém. É tudo questão de personalidade”.

*Por Douglas Quenqua

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