Para combater a fome, haitianos compartilham porções minúsculas

Maxi Extralien, um magérrimo menino de 10 anos vestindo uma camisa de pijama do Bob Esponja, comeu um único feijão do prato de comida que recebeu recentemente de um grupo cívico haitiano. Aquele prato tinha que durar.

The New York Times |

"Minha mãe tem outros 12 filhos, mas muitos deles morreram," ele disse, cobrindo o prato para que pudesse levá-lo à sua família. "Agora nós somos seis crianças e a minha mãe".

Para Maxi e inúmeros outros na devastada capital do Haiti, novas regras de etiqueta da fome estão emergindo.

Roubar comida, todos sabem, pode levar à morte. Crianças são mais propensas a voltar com comida, mas não importa o que encontrem, tudo deve ser compartilhado.


Crianças fazem fila por comida em Porto Príncipe / NYT

A divisão comunal, juntamente com placas por toda a cidade que leem "SOS" e "precisamos de comida," sugere que a crise de alimentos aqui está crescendo.

Em um país no qual a má-nutrição já era algo comum antes do terremoto, as Nações Unidas agora estimam que 2 milhões de haitianos precisam de assistência alimentar imediata .

E apesar de grandes esforços de grupos de auxílio, a distribuição tem sido limitada. Até o último sábado, o Programa Mundial de Alimentação havia ajudado 207.392 pessoas em Porto-Príncipe e 113.313 em outras áreas.

Para piorar o problema, o fornecimento comercial de alimentos ao Haiti tem sido limitado pelos danos do terremoto. Frutas e vegetais do interior do país ainda estão disponíveis, mas em quantidades limitadas e a preços inflacionados.

E a importação de alimentos (tipicamente 48% do consumo total do país, de acordo com as Nações Unidas) diminuíram e chegam a quase nada.

"Toda a cadeia de fornecimento de alimentos foi destruída pelo terremoto," disse David Orr, porta-voz do Programa Mundial de Alimentação. "O porto, as estradas, os caminhões, toda a vida comercial do país foi interrompida".

Não foram, afinal, apenas as casas que desabaram quando o tremor de terra sacudiu o Haiti no dia 12 de janeiro. Supermercados foram destruídos. Açougueiros e padeiros morreram.

A casa de um andar de Elsie Perdriel sobreviveu ao terremoto, fazendo dela uma das sobreviventes. Mas agora ela tem 20 bocas para alimentar ao invés de quatro: sete crianças, incluindo seu neto, alguns parentes próximos e vizinhos que perderam suas casas.

Perdriel, uma cozinheira simples, exibiu uma panela com metade um frango cortado em pedaços. "Isso deveria alimentar duas pessoas", ela disse. "Agora terá que dar para 20".

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