Para alguns analistas, sempre é hora de comprar

Mesmo agora, com a piora da recessão e com os mercados no abismo, analistas de Wall Street dizem que é uma boa hora para comprar. Ainda. No topo do mercado, eles incentivam investidores a comprar ou segurar ações em cerca de 95% das vezes.

The New York Times |

Quando as ações começaram a cair eles continuaram otimistas. Mesmo em novembro, quando o crédito congelou, a economia parou e o mercado financeiro chegou aos níveis mais baixos da década, poucos analistas estimularam a venda de ações.

E no mês passado, enquanto os indicadores de ações da DowJones e da Stantard & Poor 500 passaram pelo pior mês de janeiro, os analistas colocaram as taxas de venda as taxas de venda das ações a meros 5,9%, de acordo com dados da Bloomberg. Muitas companhias sofreram tanto com os maus tempos, argumentam analistas, que suas ações estão destinadas a voltar atrás.

Talvez. Mas depois de tantos fatores ruins que ocorreram com as empresas, por que os investidores deveriam acreditar neles bem agora?

Quando as ações de internet implodiram em 2000 e 2001, os analistas de Wall Street foram amplamente desdenhados por ignorarem a loucura que se tornou as alturas insustentáveis das ações ponto-com. Mas no momento atual, as agências que avaliam créditos, empresas de financiamento e banqueiros de Wall Street carregaram o fardo da culpa pela Queda de 2008 e poucos questionaram publicamente os analistas que incentivaram os investidores a comprarem abundantemente.

Os analistas perderam completamente o barco do crédito de risco e a crise de crédito, mais uma vez, disse Jacob Zamansky, advogado de fiança que representa investidores. Eles deveriam ter dado alguns sinais de aviso prévios para os investidores se protegerem ou ao menos diminuir o valor de seus documentos. Esse aviso nunca foi dado.

Ao invés disso, muitas recomendações estimulavam os investidores a manter suas ações ou aumentá-las, enquanto a situação piorava.

Em 8 de outubro, enquanto o Congresso e o Departamento do Tesouro tentavam freneticamente acalmar os mercados em queda, um analista do Citigroup melhorou a avaliação de compra do Bank of America. Desde então, as ações do Bank of America caíram 77%.

No mesmo mês, Jeffrey Harte, um analista de alto padrão da Sandler O´Neall and Partners também aumentou a avaliação de compra do Bank of America e, um mês depois, fez o mesmo com o Citigroup, de acordo com dados da Bloomberg.

Nossas avaliações são baseadas em alvos de preços de 12 meses, disse Harte. Devido a natureza dos ciclos econômicos e, com certeza, ao foco da nova administração, eu esperava e ainda espero que o setor se desenvolva consideravelmente no longo prazo.

Com cada declínio agressivo, as ações estão parecendo barganhas cada vez melhores para os fiscais de mercados mais obstinados, e as avaliações de compra parecem refletir a esperança de que o mercado logo irá virar a esquina.

Um analista do Davenport & Co. fez um grande pedido de compra à empresa de alumínio Alcoa em 24 de março, de acordo com dados da Bloomberg, quando suas ações flutuavam a US$ 35 e os preços das commodities aumentavam. Então ele confirmou a avaliação 14 vezes enquanto os preços do metal caíam, a produção secava e o valor das ações da Alcoa reduziam em mais de 70%.

Por JACK HEALY e MICHAEL M. GRYNBAUM

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