Paquistão se opõe à expansão americana da guerra no Afeganistão

ISLAMABADE - O Paquistão se opõe à expansão das operações de combate americanas no vizinho Afeganistão, criando novas fissuras na sua aliança com Washington em um momento crítico no qual milhares de novas tropas chegam à região.

The New York Times |

Autoridades paquistanesas disseram à gestão Obama que os marines que combatem o Taleban no sul do Afeganistão irão forçar as milícias a buscarem abrigo do seu lado da fronteira, possivelmente inflamando ainda mais a problemática província de Baluchistan, de acordo com oficiais de inteligência paquistaneses.

O Paquistão não tem tropas suficientes para enviar a Baluchistan para lidar com o Taleban sem desestruturar a segurança de sua fronteira com seu maior inimigo, a Índia, afirmaram os oficiais. O diálogo com o Taleban, e não mais combates, é do interesse do Paquistão, eles disseram.

A declaração paquistanesa deixou claro que, até mesmo conforme os Estados Unidos retomam seu compromisso para lidar com a crescente ameaça do Taleban, enviando tropas e recursos ao Afeganistão, oficiais paquistaneses ainda consideram a Índia a sua prioridade e o Taleban um problema que pode ser negociado. A longo prazo, depois que os Estados Unidos partirem, o Taleban no Afeganistão pode até mesmo se tornar um aliado do Paquistão, como foi no passado.

Os oficiais paquistaneses deram opiniões diferentes das autoridades americanas em relação à ameaça apresentada por líderes Talebans, alguns dos quais há muito se refugiam no lado paquistanês da fronteira.

Recentes operações militares paquistanesas contra o Taleban no Vale Swat e partes das zonas tribais fizeram pouco para diminuir essa diferença de percepção.

Mesmo com oficiais da gestão Obama elogiando as operações, eles expressam frustração que o Paquistão não está agindo contra todos os militantes islâmicos que usam o país como base.

Ao invés disso, eles dizem, as autoridades paquistanesas escolheram combater o Taleban que ameaçou seu governo, enquanto ignora o Taleban e outros militantes que combatem os americanos no Afeganistão ou aterrorizam a Índia.

A avaliação crítica do Paquistão foi divulgada conforme o enviado especial da gestão Obama para a região, Richard C. Holbrooke, se preparava para sua quarta visita ao país desde que ele assumiu o posto em janeiro. Ele chegou na terça-feira.

A perspectiva do país foi divulgada em um reunião de instrução específica de quase duas horas ao The New York Times, na sexta-feira, por analistas sênior e funcionários do principal serviço secreto do Paquistão. Os principais temas da instrução específica foram ecoados em conversas com vários oficiais militares durante os últimos dias.

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