Pedido representa sinal do colapso na cooperação entre Washington e Islamabad, após prisão de membro da agência de inteligência

O Paquistão tem exigido que os Estados Unidos reduzam o número de agentes da CIA e de outras forças de operações especiais no país, e que coloque em espera ataques realizados por aeronaves drones contra militantes na sua região noroeste. O pedido foi mais um sinal do colapso na cooperação entre os dois aliados.

Autoridades paquistanesas e americanas disseram em entrevistas que a exigência de que os Estados Unidos diminuam a sua presença aconteceu como resultado da prisão no Paquistão de Raymond A. Davis, um agente de segurança da CIA que matou dois homens em janeiro, durante o que disse ter sido uma tentativa de roubo.

Policial paquistanês em local bombardeado em Karachi
AFP
Policial paquistanês em local bombardeado em Karachi
Ao todo, cerca de 335 membros da equipe dos Estados Unidos – entre agentes da CIA, empreiteiros e pessoal das forças de Operações Especiais – terão de deixar o país, disse uma autoridade paquistanesa intimamente envolvida na decisão.

Não ficou claro quantos agentes da CIA permanecerão no Paquistão, o número total da operação no país não foi divulgado. Mas os cortes exigidos pelos paquistaneses aumentaram de 25% para 40% das forças de Operações Especiais dos Estados Unidos no país, disseram as autoridades. O número também inclui a remoção de todas as equipes de empresas terceirizadas dos Estados Unidos utilizadas pela CIA no Paquistão.

Esforços

As exigências parecem graves o suficiente para prejudicar seriamente os esforços dos Estados Unidos – quer através de ataques aéreos ou de treinamento militar do Paquistão – em combater os militantes que usam o Paquistão como base para combater as forças americanas no Afeganistão e planejar ataques terroristas no exterior.

As reduções foram exigidas pessoalmente pelo chefe do Exército paquistanês, o general Ashfaq Parvez Kayani.

O Exército paquistanês acredita firmemente que o objetivo real de Washington no Paquistão é acabar com o valorizado arsenal nuclear do país, que agora está perto de se tornar o quinto maior do mundo, disse o oficial paquistanês intimamente envolvido na decisão sobre a redução da presença americana.

Do lado dos Estados Unidos, há frustração sobre a aparente incapacidade do Exército paquistanês em derrotar uma série de grupos militantes, incluindo os Talebans e a Al-Qaeda, que prosperam em áreas tribais do país, apesar de mais de US$ 1 bilhão em ajuda americana por ano para as forças militares do Paquistão.

*Por Jane Perlez e Ismail Khan

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