Paquistão liga grupo terrorista a atentado em hotel e morte de jornalista

ISLAMABAD - Um grupo extremista muçulmano sunita envolvido no sequestro e morte do jornalista Daniel Pearl em 2002 ajudou a realizar há três meses o atentado no hotel Marriott em Islamabade que matou mais de 50 pessoas, de acordo com um oficial do país.

The New York Times |

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Rehman Malik, o principal consultor de assuntos internos do governo, disse que o grupo Lashkar-E-Jhangvi, que foi banido do país em 2001 e classificado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos como uma organização terrorista internacional, ajudou a realizar o atentado a bomba do dia 20 de setembro, que abalou a confiança dos paquistaneses ao demonstrar que os extremistas podem realizar ataques de larga escala perto da sede do poder, na capital do país. 

Os comentários de Malik sobre o atentado feitos à Assembleia Nacional Paquistanesa na segunda-feira representaram a primeira vez que o governo acusou formalmente uma organização pelos ataques. Anteriormente ele havia sugerido que militantes Talebans operando na região tribal do país poderiam ter coordenado os ataques. 

Malik também disse aos legisladores que dois homens de Toba Tek Singh na província de Punjab foram detidos e que a investigação foi concluída.

De acordo com um investigador, um homem associado com o Lashkar-E-Jhangvi dirigiu o caminhão usado no atentado a bomba desde a cidade de Jhang, onde foi carregado com os explosivos, até Islamabade, onde as chaves passaram a um homem-bomba. 

O motivo do ataque foi o ódio contra americanos, disse o investigador, que falou sob condição de anonimato por causa do sigilo envolvendo o inquérito. Outros oficiais especularam que o ataque foi uma retaliação a ataques aéreos realizados em regiões operadas pelo Taleban na zona tribal por aviões controlados remotamente por americanos ou por uma operação militar paquistanesa contra os militantes da região. 

O motorista dirigiu o caminhão até Islamabade lentamente, de acordo com o investigador, fazendo paradas constantes para impedir que fosse descoberto. Quando em Islamabade, ele deu as chaves ao homem-bomba, um afegão de 22 anos chamado Zakirullah, que dirigiu o caminhão até o hotel, disse o investigador. 

Os militantes escolheram o Marriott como alvo por causa de uma grande quantidade de Marines americanos que se hospedavam no local, mas a maioria deles havia deixado o hotel um dia antes do ataque, segundo o investigador. 

O Lashkar-E-Jhangvi há muito tem a reputação de realizar atentados violentos, especialmente contra muçulmanos xiitas no Paquistão. Em 2003, quando o secretário de Estado americano Colin L. Powell designou o grupo como uma organização terrorista internacional, ele disse que seu envolvimento no sequestro e morte de Pearl, um correspondente do jornal Wall Street Journal, em 2002 "havia sido confirmado".

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