Paquistão evita armadilhas, mas toma rumo incerto

ISLAMABADE - O momento foi crucial para o desenvolvimento político do Paquistão: uma enorme manifestação forçou a restauração de um juiz demitido, Iftikhar Muhammad Chaudhry, um símbolo da democracia e do controle da lei. O exército não tentou um golpe, mas insistiu que o governo aceitasse um acordo.

The New York Times |

Reuters
Paquistaneses comemoram decisão

Paquistaneses comemoram decisão favorável a Chaudhry

O acordo entre o presidente Asif Ali Zardari e Nawaz Sharif, líder do principal partido de oposição, não revela uma solução para a instabilidade desta nação nuclear. Tampouco garante o principal objetivo da gestão Obama em garantir o controle de poderosas insurgências islâmicas que ameaçam tanto o país quanto seu vizinho, o Afeganistão.

Como os dois políticos paquistaneses irão resolver sua rivalidade é uma de muitas incertezas. Outra é se a disputa política doméstica irá permitir que eles (ou os militares) se concentrem na situação da segurança, que tem deteriorado em todo o país.

Zardari foi gravemente enfraquecido por seus esforços em controlar os protestos nacionais e enfrentar o abandono de partidários do geralmente coeso Partido do Povo Paquistanês. Seu oponente, Sharif, surgiu como líder à espera, mas não tem um caminho claro para o poder.

O caminho adiante deve ser confuso para todos, até mesmo para os Estados Unidos, e pode se mostrar uma grande distração dos esforços em combater a insurgência, que está chegando perto das áreas populadas.

Mas há esperança, apontaram oficiais paquistaneses e americanos. Para um país que teve mais experiência com o comando militar do que com um governo democrático em seus 61 anos, existe a possibilidade de que a saída da população às ruas de Lahore durante o final de semana seja um presságio do fortalecimento do sistema democrático e o começo de um sistema judiciário independente.

Sharif disse que se deu bem com o enviado especial de Obama, Richard C. Holbrooke, durante seu encontro no mês passado.

Analistas paquistaneses disseram que Sharif pode se mostrar um parceiro útil conforme Washington tenta negociar com os elementos reconciliáveis do Taleban.

"Quem consegue falar com uma facção do Taleban no Paquistão? É Nawaz", disse um político sênior paquistanês.

Por JANE PERLEZ

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