Paquistão enfrenta duras batalhas na fortaleza da insurgência

PESHAWAR ¿ O Paquistão lutou por semanas contra os militantes no vale verde, ao norte da capital. Enquanto aquela batalha acontece, aumenta a marcha para o teste mais decisivo da guerra, nas irregulares montanhas do oeste que são o principal santuário do Taleban.

The New York Times |

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Soldados paquistaneses continuam vasculhando o Vale do Swat,
após queimarem uma casa que era uma fábrica de bombas do Taleban

A área, Waziristan do Sul, é o desafio mais difícil do Paquistão em sua luta para frear o aumento da insurgência. É o lar de Baitullah Mehsud, inimigo nº1 do Paquistão, que lidera o Taleban aqui e projetou dúzias de ataques suicidas nos últimos anos.

Mehsud tem agora milhares de combatentes entrincheirados nos terrenos montanhosos que são quase impossíveis de ser vasculhados pelos exércitos convencionais. E os esforços para capturá-los, dos quais o mais recente foi no ano passado, fracassaram.

Além disso, o país já está lutando contra o Taleban em diversas áreas e enviou 22 mil tropas para a campanha no vale, chamado Swat. Mesmo que os oficiais militares digam que a força das tropas não é problema, mais exércitos serão necessários para manter as novas áreas recuperadas, que ficaram sem patrulhas por anos.

Waziristan do Sul será uma etapa bem difícil, disse Talat Masood, analista militar e general do Paquistão aposentado. É a mãe de todos os problemas.

É aqui que a verdadeira luta pela alma do Paquistão acontecerá, disse.

Mehsud frequentemente se esconde ao alcance da planície ¿ mesmo participando de coletivas de imprensa lotadas ¿, alimentando suspeitas de que o governo não falou sério quando disse que o matou ou o capturou.

Mas desta vez é diferente, dizem oficiais e analistas. O exército está sendo sustentado por um nível de apoio público e consenso político que nunca teve antes. No ano passado, no Vale do Swat, patrulhas limitadas e ações pela metade, timidamente, deixaram os militares mergulhados em mais de um ano de combate. E eles finalmente concordaram em ceder a área ao Taleban, em fevereiro.

Após o Taleban tomar mais outro distrito, o exército finalmente reagiu no último mês, deslocando milhões de civis, mas também deixando o Taleban na defensiva.

Em Waziristan, o desafio é similar, senão muito mais difícil. Durante anos, uma sucessão de acordos de paz permitiu que Mehsud e seus partidários se posicionassem seguramente em algumas das áreas mais pedregosas do país.

Na prática, a única pressão sobre Mehsud, seus apoiadores e aliados, que incluem elementos da Al-Qaeda, são os ataques de mísseis remotamente pilotados por caças americanos.

Mas nas últimas semanas, sem chamar atenção, o Paquistão começou a pressionar, bombardeando esconderijos suspeitos em três áreas, ataques que um oficial do Departamento de Defesa dos EUA chamou de o início da próxima etapa da campanha contra o Taleban.

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Homens capturados, suspeitos de ser militantes
ou apoiadores do Taleban, esperam por transporte, neste domingo

Nesta segunda-feira, o chefe do Exército do Paquistão, general Ashfaq Parvez Kayani, voou sobre a região e disse que Mehsud deve ser eliminado. O exército barrou as estradas. Um grande negociador de equipamentos da região disse que a companhia não pode comprar diesel há três semanas.

Estamos reformulando o ambiente, disse um oficial militar paquistanês sênior, que falou em condição de anonimato porque não está autorizado a dar detalhes sobre as operações. Barrar as rotas. Controlar as saídas e entradas. Dominar o movimento. Checar.

No domingo, um oficial local anunciou que o governo deu sinal de alerta para o início da ofensiva, mas, nesta segunda, o porta-voz do exército se recusou a dar detalhes.

Outra mudança mais importante também pode estar em ação. Mehsud matou muitos anciãos de tribos para acumular poder sobre seu domínio, e oficiais dizem que ele alienou muitas pessoas que agora estão se virando contra ele.

Os militares iniciaram a tentativa de explorar uma abertura no Taleban para, em breve, isolá-lo, disseram analistas.

Se alguém tirasse a pele de Baitullah Mehsud vivo, ninguém choraria neste país, disse um oficial com base em Peshawar, capital da região, que ajuda a fiscalizar a área. O ambiente que Baitullah criou não existe mais.


Por SABRINA TAVERNISE e PIR ZUBAIR SHAH


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