Paquistaneses contrariam as normas e fabricam produtos de fetiche

KARACHI - No Paquistão, o chicote é usado principalmente como arma para punir aqueles que desafiam o rigoroso código islâmico imposto pelo Taleban.

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Paquistão lucra com indústria do fetiche

Mas na capital comercial do país, ao lado de uma mesquista e do escritório de uma organização radical islâmica, em uma casa sem identificação nenhuma, dois irmãos paquistaneses descobriram um uso liberal mais lucrativo para o artefato: a indústria do fetiche, que movimenta cerca de US$3 bilhões no ocidente.

Seu negócio familiar, conhecido como AQTH, fatura mais de US$1 milhão ao ano fabricando 2 mil produtos de fetiche e bondage, como o chicote, e exportando-os para Estados Unidos e Europa.

Os irmãos Qadeer, Adnan, 34, e Rizwan, 32, conseguiram sucesso com seu improvável negócio em um país no qual os bares são ilegais e os pobres geralmente passam a vida toda na pobreza.

O negócio parece improvável para dois estranhos e recatados paquistaneses de classe baixa, e realmente é. Mas a discrição tem sido sua palavra-chave. Os irmãos adotaram medidas extremas para esconder um negócio que neste país extremamente conservador é tão arriscado quanto ousado.

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A atividade é arriscada em um país onde o Taleban impõe rigorosas regras

Claro, o fato das dezenas de mulheres sem educação formal e cobertas por véus que trabalham na linha de montagem (produzindo corsetes, saias com furos especiais, vendas, entre outros itens) não saberem o que são estes produtos ajuda. Mesmo as esposas dos donos e sua conservadora mãe não têm ideia do que eles produzem.

"Se nossa mãe soubesse ela nos deserdaria", disse Adnan, sentado sobre uma cadeira coberta com tecido de estampa de pele de tigre.

Mesmo os oficiais alfandegários não sabem como tributar os itens, pois não têm ideia com o que estão lidando, eles contam.

Recentemente, quando um funcionário curioso perguntou o que os ocidentais fazem com uma espécie de saco de dormir usado para certos tipos de bondage, os donos responderam que o produto é usado pelos militares americanos para transportar corpos no Iraque.

Segundo eles, difícil é frequentar feiras internacionais de fetiche para mostrar seus produtos.

"Eu vou à Cidade do Pecado todos os anos", disse Rizwan, se referindo a Las Vegas com riso. São negócios, ele afirma. "Os clientes conhecem nosso país e nossa cultura e não nos convidam a participar de nada. Nós somos tímidos".


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