Papel higiênico macio prejudica florestas, dizem grupos ecológicos

Os americanos gostam que seu papel higiênico seja suave: confecções exóticas que geram maciez, espessura e fofura. A obsessão nacional por um papel higiênico suave levou ao surgimento de marcas como Cottonelle Ultra, Northern Ultra Acolchoado e Charmin Ultra (que apenas em 2008 aumentaram suas vendas em 40% em alguns mercados, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Information Resources).

The New York Times |

Mas a suavidade custa caro: milhões de árvores são derrubadas em países da América do Norte e Latina, inclusive alguma percentagem de árvores de florestas raras do Canadá. Apesar do papel higiênico poder ser feito a um custo similar de material reciclado, é a fibra retirada de árvores vivas que ajuda a cria a suavidade e a maioria dos fabricantes depende delas.

Os clientes "exigem suavidade e conforto", disse James Malone, porta-voz da Georgia Pacific, fabricante da Northern. "A fibra reciclada não resolve".

O hábito de consumo de papel suave (ou efeito Charmin) foi percebido pelos ambientalistas, que colocaram os fabricantes de papel higiênico no foco de suas campanhas. O Greenpeace publicou pela primeira vez na segunda-feira um guia para os consumidores americanos que classifica os papéis higiênicos por sua relação com o meio-ambiente. Com a recessão baixando o preço do papel reciclado e os americanos demonstrando mais disponibilidade em reutilizar tudo, de roupas a pneus, os grupos ecológicos querem que mais pessoas passem a utilizar papel higiênico reciclado.

"Nenhuma floresta deveria ser utilizada na fabricação de papel higiênico", disse Allen Hershkowitz, cientista sênior e especialista em lixo do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

Nos Estados Unidos, que são o maior mercado de papel higiênico do mundo, os papéis higiênicos de fibras 100% recicladas representam menos de 2% das vendas para uso doméstico entre as marcas comuns e premium. A maioria dos fabricantes usa uma combinação de árvores para fabricar o produto. De Acordo com a RISI, uma empresa independente de análise de mercado de Bedford, Massachussets, a polpa de uma árvore de eucalipto produz cerca de 1,000 rolos de papel higiênico. Um americano comum usa em média 23.6 rolos por ano.

Em muitos países europeus, um papel rústico é considerado suficiente. Outros países também se mostraram mais dispostos a aceitar o papel higiênico feito a partir de papel reciclado. Na Europa e América Latina, produtos com material reciclado representam cerca de 20% do mercado, de acordo com especialistas da Kimberly Clark Corp.

Por LESLIE KAUFMAN

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