Papa tenta transmitir esperança ao povo de Angola

LUANDA - Comandando a missa local no domingo, o Papa Bento 16 atraiu o maior número de fieis de sua visita a dois países africanos, uma multidão que o porta-voz do Vaticano, citando fontes locais, disse ser composta de cerca de 1 milhão de pessoas.

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Papa reúne multidão em Angola

Papa Bento 16 reúne multidão em Angola

A estimativa pode ser exagerada, mas não há dúvida em relação à fé e ao fervor das pessoas que compunham a multidão.

No sábado, duas jovens foram pisoteadas até a morte e 40 outros ficaram feridos em uma confusão que se formou na porta do estádio esportivo horas antes de o papa falar aos jovens. Bento lamentou a morte no domingo: "Nós os confiamos a Jesus para que os receba em seu reino".

Até o momento ninguém procurou por uma das vítimas. A outra foi identificada por oficiais do governo como Celina Kiala, 22.

Repetidas vezes durante sua passagem pela África, primeiro no Camarões e depois em Angola, Bento, 81, lamentou as aflições que mantêm o continente empobrecido.

Na homília de domingo, ele falou sobre "os males da guerra, os frutos assassinos do tribalismo e da rivalidade étnica, a ganância que corrompe o coração dos homens, escraviza os pobres e rouba as futuras gerações" dos recursos necessários para "uma sociedade justa e igualitária".

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População católica da África é a que mais cresce

População católica da África é a que mais cresce

A África tem população católica que mais cresce no mundo e Angola foi uma escolha lógica para a visita papal, não apenas porque a maioria da população pertence a sua igreja, mas também porque sofreu alguns dos piores problemas que atingem o continente.

Uma vez que Angola conquistou sua independência de em 1975, o país foi tomado pela guerra civil que durou 27 anos. A paz trouxe prosperidade apenas à elite. O crescimento econômico de dois dígitos (atribuído ao lucro dos diamantes e petróleo) não chega às massas.

A missa durou quase duas horas e, com o calor, algumas pessoas foram embora mais cedo. Mas a maioria dos fieis permaneceu até o final. "Eu vim aqui com o coração pesado, com problemas financeiros", disse Mokusu Zola, 52. "Agora não tenho mais preocupações".

As estradas de Angola não conseguem suportar um evento tão grandioso. Um mar de pessoas tomou as ruas a caminho de casa e foi momentaneamente alterado apenas pela passagem do comboio policial que cercava o papamóvel.

"Papa! Papa! Papa! Papa!", gritavam as crianças ao correr atrás do veículo, como se quisessem segurar o visitante para que ficasse um pouco mais.

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