Panamá reforma canal para melhorar passagem de navios

Projeto de US$ 5,25 bilhões, previsto para terminar em 2014, é a primeira expansão do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico

The New York Times |

Por enquanto, o futuro do transporte mundial é pouco mais do que um buraco no chão em Cocoli, Panamá, a uma curta distância do Oceano Pacífico.

E que buraco. Com cerca de um 1,6 quilômetros de comprimento, várias centenas de metros de largura e mais de 30 metros de profundidade, a escavação é um passo inicial na construção de um conjunto maior de comportas para o Canal do Panamá, que deve dobrar a quantidade de produtos que passam por ele a cada ano.

O projeto de US$ 5,25 bilhões, com conclusão prevista para 2014, é a primeira expansão na história do centenário canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

Ao permitir que navios de carga muito maiores cheguem facilmente ao leste dos Estados Unidos, o novo canal alterará os padrões do comércio e também exercerá pressão sobre o oriente e portos da Costa do Golfo, como Savanna, Geórgia, e New OrleansX para aprofundar e expandir seus portos de carga.

Com suas duas pistas que podem permitir a passagem de navios de até 965 pés de comprimento e 106 pés de largura – um tamanho conhecido como Panamax – o canal opera perto de sua capacidade de cerca de 35 navios por dia. Isso pode significar dezenas de navios atracados em alto mar em cada costa, esperando um dia ou mais para entrar no canal.

Atrasos

As novas eclusas ajudarão a eliminar alguns desses atrasos, adicionando talvez 15 passagens ao total diário. Mais importante, as barragens serão capazes de lidar com navios no tamanho New Panamax – 25% mais longos, 50% maiores e mais profundos, capazes de transportar duas ou três vezes a carga do tamanho atual.

Ninguém pode prever o impacto total da expansão. Mas ela deve significar transporte mais rápido e mais barato de alguns bens entre os Estados Unidos e a Ásia.

O maior questionamento é se, em um país marcado pela corrupção oficial, a autoridade que controla o canal, uma agência autônoma do governo panamenho, pode lidar com esse tipo de expansão.

O vice-presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, confessou a amigos em 2009 que o projeto era um "desastre", segundo um dossiê diplomático americano divulgado no ano passado pelo WikiLeaks. Varela descreveu as empresas contratadas, espanholas e italianas, como "fracas".

Mas os executivos da agência responsável dizem ter tido o total apoio do governo. Eles alegam que o projeto está dentro do prazo e do orçamento, e que a agência tem a habilidade de engenharia e gestão para completá-lo.

*Por Henry Fountain

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