Palestinos mudam o foco da estratégia para criação de seu Estado

Estratégia é apelar para Nações Unidas, Tribunal Internacional de Justiça e signatários da Convenção de Genebra

The New York Times |

A liderança palestina, em desespero para conseguir um acordo com Israel sobre uma solução de dois Estados está cada vez mais focada em como convencer organismos e tribunais internacionais a declarar um Estado palestino na Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.

A ideia, que tem sido discutida tanto em instâncias formais quanto informais em toda a Cisjordânia, é apelar para as Nações Unidas, o Tribunal Internacional de Justiça e os signatários da Convenção de Genebra para que se oponham aos assentamentos e ocupação israelenses e, finalmente, estabeleçam uma espécie de reconhecimento global de um Estado Palestino que amarraria as mãos de Israel.

A abordagem ganha peso conforme as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos se alongam sobre a questão da construção de assentamentos.

"Nós não podemos continuar nesse caminho", disse Hanan Ashrawi, antiga negociadora de paz, que faz parte do círculo de decisão interna da Organização de Libertação da Palestina, que supervisiona a Autoridade Palestina. "A solução de dois Estados está desaparecendo. Se nós não podemos parar os assentamentos através do processo de paz, nós temos de ir ao Conselho de Segurança, o Conselho de Direitos Humanos e todo corpo jurídico internacional". Em entrevista, ela disse que sua organização está realizando discussões de alto nível sobre essas opções esta semana.

Autoridades israelenses rejeitam a mudança como inaceitável e uma violação dos acordos de Oslo de 1993, que regem as relações entre israelenses e palestinos desde então. Ela também prejudica os esforços de Israel de manter alguns assentamentos e negociar modificações nas fronteiras.

Preocupação de Israel

Mas os israelenses estão preocupados. Nenhum governo no mundo apoia a sua política de assentamentos e eles temem que a maioria dos países, incluindo alguns da Europa, apoiaria os palestinos.

Os israelenses dizem que o que realmente está acontecendo é um esforço palestino para garantir um Estado sem ter que tomar decisões difíceis sobre as fronteiras e assentamentos que as negociações poderiam implicar. Eles estão pressionando o governo Obama a tomar uma posição mais firme contra a nova abordagem, mas Washington não tomou nenhuma medida para isso.

Os palestinos querem que o mundo declare seu Estado em territórios que Israel conquistou na guerra de 1967 – Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza. Meio milhão de israelenses agora vivem nessas áreas, e Israel poderia estar, de fato, violando diariamente os direitos de outro Estado.

*Por Ethan Bronner

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