Palestinos encontram fronteira do Egito com Gaza menos aberta que o prometido

Apesar de anúncio de passagem de Rafah aberta durante o dia, autoridades egípcias impõem restrições no número de pessoas e irritam o Hamas

The New York Times |

Dias depois de o Egito anunciar com grande algazarra que abriu sua fronteira com Gaza permanentemente, novas restrições foram impostas aos palestinos que querem cruzá-la. As proibições levaram governantes do grupo islâmico Hamas, que controlam a Faixa de Gaza, a demonstrações de frustração e raiva.

Reuters
Funcionário fiscaliza passaporte de palestinos na fronteira de Rafah (28/5/2011)
Apenas três ônibus, transportando um total de 150 passageiros, entraram no saguão da alfândega egípcia na fronteira de Rafah na quarta-feira, enquanto cinco outros ficaram presos do lado palestino, afirmaram autoridades do Hamas duas horas antes do fechamento da passagem. "Desde terça-feira, nós estamos testemunhando complicações que não podemos compreender", disse Salama Baraka, diretor da fronteira. Ela culpou "o lado egípcio pela lentidão em aceitar os viajantes”.

De acordo com testeminhas, o Hamas estava considerando, inclusive, fechar a fronteira como sinal de protesto.

Novo governo

No sábado, o novo governo egípcio disse que estava retirando as restrições que haviam até então limitado a entrada de moradores de Gaza nos últimos quatro anos, depois que Israel, com a cooperação do Egito sob liderança do ex-presidente Hosni Mubarak, impôs um fechamento para pressionar o Hamas. As novas regras ditam que os homens acima de 40 anos, menores de 18 anos e todas as mulheres podem viajar de Gaza para o Egito sem acordo prévio.

AP
Menino palestino mostra o passaporte de seu pai na administração da fronteira de Rafah (28/5/2011)
Autoridades do Hamas, no entanto, afirmam que o Egito tem recusado dezenas de viajantes. Ghazi Hamad, vice-chanceler do Hamas, disse que as autoridades do grupo islâmico entraram em contato com os egípcios para obter esclarecimentos.
"Na fronteira nós enfrentamos algumas dificuldades", disse ele.

A agência de notícias palestina Maan citou uma autoridade egípcia dizendo que o Hamas havia enviado pessoas inelegíveis, incluindo alguns dos envolvidos no contrabando feito nos túneis sob a fronteira sul de Gaza com o Sinai.

Regras

Sari Bashi, diretor executivo do Gisha, um grupo israelense de direitos humanos centrado na liberdade de movimento para os palestinos, disse que os egípcios informaram o Hamas na terça-feira que a travessia seria limitada a 400 pessoas por dia e que todos, incluindo mulheres e crianças, agora precisariam informar seus nomes com um dia de antecedência para obter autorização.

Nos últimos meses a média diária de pessoas que deixavam Gaza através de Rafah era de 300. Antes da tomada de Gaza pelo Hamas, entre novembro de 2005 e junho de 2006, em um sistema que incluía monitores europeus, cerca de 700 pessoas deixavam Gaza pelo Egito diariamente, de acordo com Gisha.

Israel primeiro restringiu a travessia na fronteira em Rafah e de bens de Israel quando o Hamas sequestrou o soldado israelense Gilad Shalit perto de sua base em Gaza, em 2006. Um ano mais tarde, o Hamas venceu as eleições legislativas e assumiu o controle total de Gaza.

No ano passado, depois de soldados israelenses matarem nove ativistas em uma flotilha turca que tentava romper o cerco de Gaza por Israel, o Egito passou a abrir a travessia de Rafah mais regularmente, e Israel começou a permitir a entrada de uma gama muito maior de bens na região.

*Por Fares Akram

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