Paladar irlandês elege outros carboidratos e abandona batatas

Apesar de a batata continuar a ser o carboidrato mais popular nos pratos irlandeses, o seu consumo caiu cerca de 25% desde 2005

The New York Times |

A primazia da Igreja Católica Romana e a centralidade dos pubs não são as únicas marcas da vida irlandesa sob ameaça. As batatas estão perdendo o seu lugar como o carboidrato favorito no prato dos irlandeses, levando a uma campanha nacional para deter o declínio no seu consumo.

NYT
Donal Skehan, segundo da direita,um jovem chef de cozinha, fez uma visita ao Bord Bia, responsável pela pesquisa sobre o consumo de batatas

Bord Bia, o Conselho de Alimentação irlandês, encomendou uma pesquisa para determinar por que massas, arroz, macarrão, cuscuz e outros carboidratos estão tomando um lugar tradicionalmente ocupado pelas batatas no mercado local. O conselho financiado pelo governo quer usar os resultados dessa pesquisa para buscar aconselhamento sobre formas de superar a imagem negativa do vegetal.

"Acreditamos que, emocionalmente, a maioria dos consumidores irlandeses ainda gosta de comer batatas, mas várias questões-chave impactam de maneira negativa o seu consumo", afirmou o conselho esse mês em um documento para os candidatos à pesquisa.

Entre eles, estão a crença equivocada de que as batatas engordam, a contínua influência da dieta rica em proteína de Atkins que defende um consumo mínimo de carboidratos e o tempo que leva para preparar batatas em comparação com as suas principais alternativas.

Apesar de a batata continuar a ser o carboidrato mais popular nos pratos irlandeses, o seu consumo caiu cerca de 25% desde 2005, de acordo com a Kantar Worldpanel, uma empresa de pesquisa de mercado.

Qualquer campanha para combater a popularidade em queda da batata terá de reconquistar consumidores como Vicky Leahy, professora de língua francesa e mãe solteira que vive em Dundalk, uma cidade localizada perto da fronteira com a Irlanda do Norte.

"Para dizer o óbvio, uma batata leva meia hora para ser preparada, enquanto massas levam 10 minutos e arroz um pouco mais", disse ela. "Mas é mais profundo do que isso. As batatas personificam a Irlanda da geração de meu pai, onde carne e dois legumes estavam na mesa às 18h todas as noites. É com isso que eu associo as batatas, mas todos nós mudamos muito."

Liam Glennon, presidente da Federação Irlandesa de Produtores de Batata, que representa os produtores e fornecedores do produto, saúda a iniciativa da Bord Bia, mas diz que acredita que ela deve ser parte de uma estratégia mais ampla para conter a crescente popularidade dos intrusos.

"Temos que enfrentar a 'síndrome do parente pobre', onde as batatas são associadas com os tempos de crise e pobreza pré-Tiger Celtas ", disse ele, referindo-se ao crescimento explosivo da Irlanda que começou em meados dos anos 1990. "Eu espero que não estejamos em declínio terminal - e eu não acredito que estamos. Como a batata é tão fortemente associada com a Irlanda, tal cenário seria impensável."

Por Douglas Dalby

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