Países em desenvolvimento se preparam para encontro na Rússia

MOSCOU - Os líderes de algumas das principais economias mundiais se reunirão nesta terça-feira para negociar como exercer maior poder no sistema financeiro no momento em que sua recuperação parece mais próxima.

The New York Times |

No entanto, nenhum americano ou europeu ocidental estará neste grupo.

A primeira reunião do chamado grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) busca ressaltar o crescente poder econômico destes países em desenvolvimento. A Rússia, sede do grupo e provocadora ideológica, tem interesse especial em usar a cúpula para atingir Washington.

Os quatro países expressaram diferentes níveis de desconforto em relação à liderança financeira de Washington e estão particularmente preocupados a respeito do valor do dólar em um momento de crescente endividamento nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a maioria dos economistas diz que os países BRIC podem fazer pouco para mudar a atual arquitetura do sistema financeiro global e o resultado desta reunião será amplamente simbólico.

Os países BRIC reúnem 15% da economia mundial e, talvez mais importante, têm cerca de 40% das reservas monetárias do mundo. Brasil, Índia e China também lidaram melhor com a crise financeira do que o mundo como um todo.

Ainda que longe de ser um grupo monolítico, eles geralmente se unem em sua frustração com a posição do dólar como moeda de reserva mundial, o que permite que Washington tenha déficits orçamentários sem medo de ter que acertar as contas, algo que os outros países se arriscam a ter.

Os dólares em excesso lotam bancos centrais internacionais, deixando os países com uma difícil escolha: reinvestir em títulos americanos ou segurá-los e arriscar a alta no valor de sua própria moeda, o que faz com que seus produtos sejam menos competitivos no mercado mundial.

Oficiais sênior dos governos dos países do BRIC (com a Índia, que não depende muito do comércio, sendo uma exceção) reconhecem que ainda que os Estados Unidos tenham agido de forma irresponsável nos últimos 30 anos ao contrair dívida demais, eles é que sofrem.

"A economia mundial não deve permanecer interligada de maneira tão direta e desnecessária, nas mãos de uma única grande potência", disse Roberto Mangabeira Unger. "Os países em desenvolvimento não devem ter que ver seus estoques dificilmente acumulados sofrer com grandes desvalorizações".

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