Pais homossexuais escolhem o sul dos EUA, diz censo

Cidade de Jacksonville, na Flórida, é lar das maiores populações de famílias com pais gays do mundo

The New York Times |

Ser gay na cidade de Jacksonville, no sul dos Estados Unidos, já foi uma existência solitária. A maioria das pessoas mantinha sua sexualidade em segredo e descobriu os perigos de ostentar sua preferência sexual quando uma igreja voltada ao público homossexual foi bombardeada em 1980. Mas, atualmente, há oito igrejas de portas abertas para os gays.

As mudanças podem parecer surpreendentes para uma cidade onde as igrejas que há muito condenam a homossexualidade continuam a ser uma força poderosa. Mas conforme os demógrafos analisavam dados divulgados pelo Census Bureau, eles descobriram que Jacksonville é o lar de uma das maiores populações de pais homossexuais de todo o país.

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Misty Gray e Latisha Bines oram com filhos antes de jantar de domingo, em Jacksonville, na Flórida
Além disso, os dados mostram que a criação de filhos entre casais do mesmo sexo é mais comum no sul do que em qualquer outra região do país, de acordo com Gary Gates, um demógrafo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Os casais homossexuais nos Estados do sul seriam mais suscetíveis a criar filhos do que seus semelhantes na em Nova York, por exemplo. O padrão identificado por Gates também é notável porque as famílias na região desafiam o estereótipo de uma América homossexual geralmente branca, rica, urbana, que vive no nordeste ou na costa oeste do país.

"Estamos começando a ver que a comunidade gay é muito diversa", disse Bob Witeck, diretor executivo da Witeck-Combs Communications, que ajudou a analisar os dados.

Etnia

Casais homossexuais negros ou latinos têm duas vezes mais disponibilidade que os brancos de criar filhos, de acordo com Gates, que usou dados de uma amostragem do Censo conhecida como Pesquisa da Comunidade Americana. Além disso, eles também são mais prováveis do que os brancos de estar em dificuldades econômicas.

Especialistas oferecem teorias para o padrão. Um grande número de casais homossexuais, possivelmente a maioria, entrou em seu relacionamento atual após primeiro ter filhos com parceiros em relacionamentos heterossexuais, disse Gates.

"Nós crescemos na igreja, por isso vivíamos em vergonha", disse Darlene Maffett, 43, moradora de Jacksonville, que teve dois filhos em oito anos de casamento antes de sair do armário em 2002. "O que nós fizemos? Nós vagamos perdidos. Casamos com homens e depois não conseguíamos entender por que tínhamos dor de cabeça todas as noites”.

Jacksonville foi um ímã para Maffett mesmo antes de ela se mudar para cá. Embora seus moradores homossexuais permanecessem praticamente ocultos, havia uma igreja aberta aos fiéis gays. Em 2003, ela passou a dirigir 90 minutos todos os domingos até a cidade só para participar do culto.

Maffett gostava da segurança da igreja em Jacksonville. Mesmo assim, ela sentia pouca ligação com a congregação gay de Jacksonville – de maioria branca, do sexo masculino e sem filhos. Então ela conheceu Valerie Williams, 33 anos, que fazia parte da comunidade gay da cidade há anos e, quando a primeira igreja negra para homossexuais foi inaugurada em 2007, ela decidiu dar mais um passo.

"As pessoas estavam procurando coisas para fazer com seus filhos e não tinham para onde ir", disse ela.

Então, no verão passado, Williams tornou-se pastora da Igreja St. Luke e imediatamente estabeleceu um programa para jovens. Williams compara os esforços da comunidade com as lutas do movimento dos direitos civis. "Ainda que devagar, tudo isso certamente vai passar", disse ela. "Eu realmente acredito nisso".

*Por Sabrina Tavernise

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