Pais estão cada vez mais preocupados com o leite adulterado na China

PEQUIM ¿ Enfermeiras do Hospital da Criança no lado leste de Pequim passaram a quarta-feira atrás de uma pequena mesa, registrando bebês em um livro rapidamente lotado. Pais ansiosos, temendo que, sem saber, podem ter alimentado seus filhos com um produto alterado, esperavam por horas para saber se suas crianças foram infectadas.

The New York Times |

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Um pai, Zhang Gaofeng, 35, esperou por mais de um dia com sua mulher, Wang Hui, e a filha de 22 meses, Yue. O casal alimentou Yue com o produto Sanlu cuja fórmula está agora no centro de um escândalo nacional que deixou três crianças mortas e mais de seis mil bebês infectados. Zhang, trabalhador imigrante, culpou a ambição da empresa.

Eles estão tentando obter lucro com pessoas que não são suficientemente ricas para comprar marcas importadas, disse ele enquanto esperava no estacionamento do hospital juntamente com outras famílias. Pessoas pobres só conseguem comprar produtos baratos como esse. Ele disse que os produtos da Sanlu custam cerca de US$3,20 e duram dois dias, em comparação com US$5 das marcas mais caras.

A angústia no Hospital da Criança é só um retrato instantâneo do escândalo que se alarga a cada dia desde que se tornou público na última semana. Na quarta-feira, o ministro da Saúde Chen Zhu divulgou que mais de 1.300 crianças foram hospitalizadas e que 158 sofreram de insuficiência renal aguda depois de ingerirem o produto contaminado com o aditivo industrial de melamina.

Com a indignação crescendo, o Conselho de Estado, o Gabinete Nacional da China, pediu uma revisão geral nas fábricas de laticínios do país e autoridades do governo tentaram acalmar a população divulgando que a maioria das fórmulas chinesas para bebês era segura.


Cresce a fila de pais que aguardam por exames médicos / Reuters

Adulteração generalizada

Mas a confiança pública parece abalada. O que devemos comer então? perguntou uma pessoa em um fórum na internet. Estou furioso! O leite em pó está agora em evidência, mas e as outras comidas adulteradas que comemos e não sabemos? O que o governo central tem feito todos os dias?   

Melamina, o aditivo que contaminou o leite em pó, é usado para fazer plástico e fertilizante, mas foi banido da produção de alimentos. No passado, era ilegalmente adicionado em produtos agrícolas como uma forma de aumentar os níveis de proteína.

Os produtores de leite inflam seus produtos adicionando água. Mas o leite diluído tem menos poder nutritivo, então a melamina, com alto teor de nitrogênio, é adicionada para restabelecer artificialmente os níveis de proteína animal exigidos. Os bebês que beberam a fórmula por um período mais longo, podem desenvolver pedras nos rins e a falência desses órgãos.

Inicialmente, acreditava-se que a contaminação só estava ocorrendo com crianças que ingeriam o produto da Sanlu Group, uma das maiores fábricas de laticínio da China. Mas os investigadores descobriram recentemente traços de melamina em lotes de leite em pó produzido por outras 21 empresas, incluindo a maior, a Mengniu Dairy. A Mengniu e as outras companhias recolheram seus produtos adulterados, mesmo que o governo tenha prometido corrigir o problema para que as grandes empresas retomem a produção, ou mesmo expandi-la para responderem à demanda.

Eles podem ser submetidos a uma revisão geral em um curto período de tempo, disse na quarta-feira Li Changjiang, chefe da Administração Geral de Supervisão, Inspeção e Suspensão de Qualidade, em uma coletiva de imprensa transmitida pela rede nacional de TV.

Uma solução rápida pode estar sendo vista com demasiado otimismo, dado que a China já protagonizou um escândalo similar em 2004 envolvendo fórmula para bebês. No ano passado, depois de uma série de fracassos na área farmacêutica e alimentícia, autoridades do governo prometeram eliminar a corrupção e organizar processos judiciais em benefício dos pais e contra as fábricas de laticínios. 

No Hospital da Criança em Pequim, enfermeiras expulsaram um jornalista estrangeiro que tentou entrar na clínica de recuperação das crianças que podem ter ingerido o produto adulterado. Uma enfermeira disse na quarta-feira que mais de 200 bebês foram levados para o hospital para passaram por exames que comprovariam ou não a infecção. As crianças passam por dois exames de urina e um ultrassom para checar se têm pedra nos rins.

Zhang, o trabalhador imigrante, disse que sua filha ainda esperava pelo segundo exame de urina. A lista de espera era tão grande que o ultrassom dela não foi agenda para os próximos seis dias.

Eu li uma história no jornal há dois dias, disse Zhang, explicando como soube do perigo. Eu fiquei impressionado. Minha preocupação é se as pessoas serão responsabilizadas por isso e se irão para a cadeia. Eles devem simplesmente pagar para sair dessa. Eu quero vê-los na cadeia ou mesmo executados por isso.

Por JIM YARDLEY

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