Painel do Senado culpa Rumsfeld por abusos em Abu Ghraib

WASHINGTON - Um relatório divulgado na quinta-feira pelos líderes do comitê de Serviços Armados do Senado afirma que oficiais de alto escalão da gestão Bush, inclusive o ex-secretário da Defesa Donald H. Rumsfeld, têm grande responsabilidade pelos abusos cometidos por soldados americanos nos interrogatórios realizados em Abu Ghraib no Iraque, Guantánamo Bay, Cuba, e outros centros de detenção militares.

The New York Times |

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O relatório foi emitido em conjunto pelo senador Carl Levin de Michigan, democrata presidente do painel, e o senador John McCain do Arizona, republicano. Ele representa a análise mais completa sobre a origem dos abusos de prisioneiros em  custódia americana e explicitamente rejeita as alegações da gestão Bush de que os métodos de usados em interrogatórios ajudaram a manter o país e seus soldados em segurança.

O relatório também rejeita alegações anteriores feitas por Rumsfeld e outros de que as políticas do Departamento de Defesa não tiveram papel no tratamento violento dado aos prisioneiros em Abu Ghraib no final de 2003 e em outros incidentes de abuso.

O abuso dos prisioneiros em Abu Ghraib, segundo o relatório, "não foi um simples resultado de poucos soldados agindo por si mesmos" mas veio das políticas e métodos aprovados por Rumsfeld e outros oficiais de alto escalão, que "passaram a mensagem de que pressões físicas e a degradação eram tratamentos apropriados para os prisioneiros".


Abu Ghraib: abusos teriam sido permitidos pelo governo americano / Getty Images

Na época dos abusos de Abu Ghraib, Rumsfeld havia retirado formalmente a aprovação ao uso de técnicas agressivas, que autorizou em dezembro de 2002 e abandonou um mês depois. Mas o relatório disse que estes métodos, inclusive o uso de posições de stress e nudez forçada, continuaram a ser usados no sistema de detenção militar e "prejudicaram nossa capacidade de obter informações precisas que poderiam salvar vidas, fortalecendo a mão de nossos inimigos e comprometendo nossa autoridade moral".

A maior parte do relatório, produto de um inquérito de 18 meses e entrevistas com mais de 70 pessoas pela equipe do comitê, permanece confidencial. Mas o sumário de 29 páginas oferece a mais clara linha do tempo ligando os atos de Rumsfeld e outros oficiais do Pentágono ao tratamento abusivo no campo.

O porta-voz de Rumsfeld, Keith Urbahn, disse que dezenas de investigações anteriores não mencionaram tal conexão e que o relatório atual não passa de "alegações sem fundamento contra aqueles que serviram nossa nação".

Muitos dos detalhes do sumário do relatório foram divulgados em audiências do comitê do Senado realizadas em junho e setembro, inclusive que membros do gabinete do presidente Bush discutiram métodos específicos de tortura em encontros na Casa Branca.

Por SCOTT SHANE e MARK MAZZETTI

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