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BRUXELAS, Bélgica - Os ministros estrangeiros da Otan estreitaram os laços com a Geórgia na terça-feira e pediram que a Rússia respeite o cessar-fogo e a retirada de tropas imediatamente, dizendo que até que faça isso a aliança não manterá relações normais com Moscou.

Mas os ministros da Otan, numa rara reunião de emergência, falharam em concordar com uma punição específica, apesar da pressão dos Estados Unidos de que ao menos ameace a Rússia com "consequências" não específicas e pedidos da República Tcheca, Polônia e outros membros bálticos da organização para que adote uma postura mais dura.

Ao invés disso, a Otan emitiu uma resposta tépida, prometendo estabelecer um Conselho Geórgia-Otan para fortalecer os laços (algo distante do objetivo da Geórgia de ser aceita na organização) e ignorando os pedidos de membros da Europa Oriental de um alerta forte no estilo "nem pense nisso" a respeito da intervenção militar no local.

Com isso surgiu a questão crítica: O que exatamente vale a participação nesta aliança de mais de 60 anos?

"Ela vale o que vale desde 1949", afirmou o secretário geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer. "Essa é a minha resposta mais curta". Ele disse que é "patético" que as autoridades russas tenham ameaçado direcionar mísseis balísticos a um membro da Otan, a Polônia, em resposta ao plano da gestão Bush de criar uma base anti-mísseis no local.

O problema é que, em 1949, a aliança foi formada com o objetivo principal de estabelecer uma defesa coletiva. O famoso artigo 5 da Otan estipula que um ataque a um membro da organização é um ataque a todos, um princípio que garantiu à Europa Ocidental durante a Guerra Fria que a América viria em sua defesa caso Moscou atacasse.

Mas a noção de defesa coletiva é mais complicada agora que a Otan expandiu e inclui 26 países, afirmam os especialistas em política internacional, incluindo repúblicas soviéticas como Latvia, Lituânia e Estônia, sem mencionar a República Tcheca e a Polônia. Ainda que alguns digam que a Otan pode tentar proteger esses países caso sejam atacados, o conceito de defesa cai por terra no caso da Geórgia e da Ucrânia (ambos no quintal da Rússia e sob influência do país) mesmo que sejam aceitos na Otan.

"Se a Geórgia estivesse na Otan agora, nós iríamos defender o país? Eu não sei", disse Charles Kupchan, do Conselho de Relações Estrangeiras. "A aliança precisa garantir que quando assume a promessa de defesa coletiva, esteja preparada para executá-la".

Por HELENE COOPER

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