Os Simpsons estampam selo comemorativo nos EUA

Os novos selos que homenageiam a família americana número um dos desenhos, colocados à venda pelo Serviço Postal americano no começo de maio, passaram despercebidos até que a quantidade de cartas não enviadas na minha mesa me obrigou a ir até o correio.

The New York Times |

Lá estavam Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie, em retratos em cores brilhantes, projetando energia e poder visual. Não havia ação, som, trama ou espaço para ajudá-los, apenas cor, traços, proporções e muita personalidade. De verdade, estes não são os melhores selos já criados?


Selo comemorativo dos Simpsons

Esqueça todos os produtos da mania Simpsons da nossa era: os copos, lancheiras e escovas de dentes. Contemple a estranheza do progresso dentro no limitado formato de um selo com sua comum tendência à pompa e ostentação. A diferença é grande, mas os selos dos Simpsons ficam na frente. Eles saltam aos olhos.

Primeiro, as expressões singulares, definidas pelas inimitáveis linhas grossas de Matt Groening, são limites que sucintamente revelam personalidades. Homer é visto com a boca aberta e de língua de fora - o famoso momento de pânico e não o "Doh". Marge faz beicinho e parece confusa, como que percebendo a trapalhada de Homer. Bart dá um sorriso travesso. Lisa é toda doce, como quem bem-que-tentou-te-avisar. O olhar de Maggie sugere que alguém está pisando em seu macacão. Sua chupeta tem dois traços de movimento, os únicos nos selos.

Segundo, a escolha de cores é, como de costume, extraordinária, até mesmo um pouco chocante para uma série de selos. As cores de Os Simpsons sempre foram tão radicais e subversivas quanto a crítica social do programa. Elas são parecidas em artifício às inovadoras cores de artistas como Andy Warhol, Bruce Nauman e Matthew Barney. Cinco tonalidades exacerbadas: amarelo ovo, magenta, azul Dodger, verde escuro e lavanda, com importantes traços de branco (geralmente nos olhos e dentes) e alguns toques de vermelho.

Terceiro, menos é mais. O simbolismo de "Os Simpsons" é visto em sua essência, bem como o uso do selo. As imagens não têm detalhes além das letras USA e do número 44 (centavos, para um envio de primeira classe). Nenhuma textura, nenhum nome. A cor pode tomar conta e os rostos saltam. Como em esculturas de Richard Serra, mas menores e muito mais baratos, os selos provam que escala não tem nenhuma relação com tamanho. Eles são o Davi que atinge o Golias do analfabetismo visual americano.

Não é nenhuma novidade que Os Simpsons funcionem tão bem na tela quanto fora dela, mas estas imagens ainda surpreendem. Congelados e confinados nestes selos, os retratos são um tributo a uma família e à economia que possibilitou seu surgimento. Eu não sei se os coloco em meus envelopes com contas atrasadas ou em uma moldura.

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