Órfãos haitianos têm apenas uns aos outros

Crianças que perderam família no terremoto são abrigadas por organização sem apoio, recursos e infraestrutura

The New York Times |

Mais de cinco meses após o terremoto que matou sua mãe solteira, Daphne Joseph, 14, perdeu o rumo pela segunda vez quando foi forçada a deixar o orfanato improvisado onde se sentia em casa.

Ela encontrou uma família no grupo desorganizado de colegas órfãos do terremoto e os adultos que cuidavam deles. Saltando alegremente para saudar um visitante em março, ela anunciou: "Estou muito melhor!"

Em meados de junho, no entanto, Daphne foi reivindicada por um parente que não é realmente um parente - uma mulher de 23 anos que tem união estável com o pai de seu meio-irmão - e se mudou para um acampamento de barracas miserável.

Mais uma vez ela se sentiu à deriva. Qual é o seu lugar agora?

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Meninas orfãs alimentam bebês de 11 meses em orfanato improvisado de Croix-des-Bouquets, no Haiti

O que faz de sua pergunta algo particularmente comovente é que o orfanato improvisado ao ar livre para onde ela deseja retornar também é um ambiente instável.

O grupo de ajuda da comunidade que administra o local - que é pouco mais do que algumas tendas - é atencioso, mas não dispõe de conhecimentos ou recursos. E nem o governo haitiano, nem as organizações internacionais aqui ajudaram de maneira duradoura.

Como Daphne, o orfanato enfrenta um futuro incerto, com um despejo iminente.

"Nós realmente não sabemos o que fazer", disse o reverendo Gerald Bataille, principal supervisor das crianças. "De alguma forma, todo o mundo quer ajudar o Haiti, mas nós sentimos como se estivéssemos sozinhos".

A organização de Bataille, conhecida pela sigla Frades, que se especializa em microcrédito. Embora não fosse uma organização de acolhimento de crianças antes do terremoto, ela assumiu essa responsabilidade pelos órfãos ou crianças abandonadas locais depois da catástrofe - inicialmente, cerca de 26 delas.

Com a ajuda do gabinete do prefeito, membros do conselho Frades encontraram um lugar para manter as crianças: um canteiro de obras vazio com uma fundação colocada para a construção de uma boate que nunca se materializou.

A organização internacional Save the Children ofereceu duas tendas grandes, mas nenhum material para mobiliá-las.

Membros do conselho do Frades disseram que visitaram a base logística das Nações Unidas e pediram camas à Unicef. Eles foram encaminhados a um formulário de solicitação de oferta na internet, que preencheram.

Nunca recebemos uma resposta, disseram.

Em seguida, eles procuraram auxílio suplementar da Save the Children. Kate Conradt, porta-voz da Save the Children, disse que seu grupo não serve a área de Croix-des-Bouquets, que é responsabilidade da organização World Vision.

Não se sabe porque ninguém informou isso à Frades. Como resultado, as crianças na Frades não foram registradas no programa que teve como objetivo avaliar a situação de cada criança, atribuir a ela uma assistente social do governo e organizar os cuidados intermediários ou de um grupo de apoio.

Conradt disse que a Save the Children vai agora pedir à missão da World Vision que entre em contato com a Frades, cuja situação é cada vez mais terrível.

Por Deborah Sontag

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