Orçamento de Obama enfrenta primeiro teste dentro de seu próprio partido

WASHINGTON - O que os barões democratas mais gostaram a respeito do ousado orçamento do presidente Barack Obama foi o convite que receberam para preencher os detalhes sobre ele. Os políticos começaram apagando alguns planos incluídos pelo próprio presidente.

The New York Times |

A primeira aparente baixa é grande: uma proposta para limitar as deduções fiscais dos 1.2% de contribuintes mais ricos do país. Obama diz que o plano geraria US$ 318 bilhões na próxima década como pagamento inicial pela reforma do sistema de saúde.

Mas os presidentes dos comitês fiscais da Câmara e do Senado, o senador Max Baucus de Montana e o representante Charles B. Rangel de Nova York, se opuseram à proposta, citando a possível queda nas contribuições beneficentes passíveis de dedução.

Bilhões em economia nos cortes dos subsídios governamentais aos grandes fazendeiros e agronegócios? Não, disse o senador Kent Conrad de Dakota do Norte, que lidera o Comitê de Orçamento do Senado. Conrad também criticou o limite às deduções fiscais. Além de desaprovar as propostas de economia, Conrad disse que o plano de dez anos de Obama não irá reduzir o suficiente em dívida futura.

Diminuir os gastos futuros com o Medicare, Medicaid e Previdência Social? O representante John M. Spratt Jr. da Carolina do Sul, presidente do Comitê de Orçamento da Câmara, sugeriu que a proposta de Obama não vai longe o suficiente.

Limitar as emissões dos gases causadores da mudança climática? O representante Henry A. Waxman da Califórnia, que lidera o Comitê de Energia e Comércio da Câmara, terá que se lidar com uma dissidência em um painel cheio de democratas dos Estados do carvão e das indústrias. "O processo legislativo exige concessões e abertura para alternativas diferentes", disse Waxman.

Obama está apostando alto ao conceder as definições dos detalhes de sua agenda a estes cinco veteranos e outros do Congresso, cada um com seu próprio cálculo político e paroquial.

"Este não é um orçamento fácil, com certeza", disse Spratt. Ele afirmou que, juntamente com outros líderes democratas, terá que vender para um legislador por vez, mas que conseguirão fazê-lo. "Nem todo problema é motivo para cancelar o acordo", disse Spratt. "Nós iremos tentar e faremos correções e concessões".

O processo é como um "enorme quebra-cabeça", disse Rangel. "Mas no final tudo dará certo".

Se o orçamento sair, a responsabilidade será do presidente do comitê democrata, uma vez que a maioria dos republicanos não parece ter apetite para as propostas presidenciais.

Depois de um pacote de estímulo de US$ 787 bilhões e uma medida de apropriação de US$ 410 bilhões para o ano atual, "Os republicanos sentem que podem se opor a estes gastos e esta mudança de poder de Main Street para Washington facilmente", disse a senadora Lindsey Graham, republicana da Carolina do Sul para quem a gestão tem procurado por bipartidarismo. "Isso significa que este ano pode ser uma disputa ideológica ao invés da solução de problemas".

A Câmara e o Senado buscam concordar em um orçamento até abril, mas ele não exigirá a assinatura de Obama. Ao invés disso, o orçamento servirá de mapa para os comitês escreverem o projeto que Obama assinaria em lei. As mudanças que ele vê para o sistema de saúde, energia, impostos, educação, transporte e mais estão paradas no Congresso há anos. Em seu orçamento elas vêm juntas e isso resulta em uma resistência ainda maior.

- JACKIE CALMES e CARL HULSE


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