Oposição volta a protestar contra construção de cerca na fronteira com o México

NACO, Arizona - Enquanto o Departamento de Segurança Nacional pressiona pela conclusão até o final do ano de uma cerca de mais de mil quilômetros ao longo da fronteira com o México, tem que enfrentar a pior oposição que já teve no caso e admitir que barreiras físicas não são o suficiente para impedir as travessias ilegais.

New York Times |

Na sexta-feira, a Coalização da Fronteira do Texas, uma organização de prefeitos, comissários e economistas, entrou com uma ação que busca parar a construção da cerca. Segundo eles, o secretário de segurança nacional Michael Chertoff falhou em conduzir as negociações necessárias com os proprietários de terras e autoridades locais quando ordenou que a barreira fosse construída no Texas.

Os protestos acontecem enquanto o número de tentativas de travessias ilegais, medido pelo número de apreensões de imigrantes ilegais na fronteira, caiu 17% este ano, depois de uma queda de 20% em 2007, números que o xerife David V. Aguilar da Patrulha da Fronteira usa como prova de que o sistema está funcionando.

Ainda assim, as autoridades reconhecem que a nova cerca só funciona em conjunto com outros métodos, como a vigilância eletrônica e a prisão de imigrantes ilegais detidos na fronteira.

A oposição contra a cerca aumentou, no mês passado, depois que Chertoff usou a autoridade fornecida a ele pelo Congresso para passar por cima de dezenas de leis ambientais e outras para dar continuidade à construção.

Segundo ele, seu departamento precisava ignorar as leis para atingir os objetivos estabelecidos pelo Congresso de completar a cerca até o final do ano; até o mês passado cerca de 400 quilômetros foram finalizados. O clube Sierra e os Defensores da Vida Selvagem entraram com uma ação contra a decisão de Chertoff.

Enquanto isso, autoridades das cidades da fronteira, grupos indígenas e instituições educacionais agravaram suas críticas. Eles protestam  o que dizem ser os impactos econômicos e ambientais da cerca e questionam se seu custo estimado em US$ 2,1 bilhões não poderia ser usado de forma mais eficaz para garantir a segurança na fronteira.

Além da segurança na fronteira, o tráfico de imigrantes é influenciado por questões sociais, políticas e econômicas; a recente queda na travessia conhecida aconteceu em meio aos problemas econômicos que diminuíram a quantidade de empregos que atraem os imigrantes.

Trinidad Alamea, que opera um pequeno abrigo na fronteira de Naco, disse que recentemente passou muitas noites sem que nenhum imigrante procurasse sua ajuda. Mas, segundo ele, tal situação já aconteceu anteriormente e o tráfico de imigrantes voltou a aumentar depois que os contrabandistas se adaptaram à nova situação.

"As pessoas vão cruzar a fronteira, com ou sem cerca", ele disse.

RANDAL C. ARCHIBOLD e JULIA PRESTON

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