ONU afirma que há mais mulheres na política

NAÇÕES UNIDAS ¿ Um grande número de mulheres entrou para a política na última década, representando 18,4% dos membros do parlamento no mundo todo, de acordo com um estudo publicado na quinta-feira pelo Fundo pelo Desenvolvimento da Mulher das Nações Unidas (UNIFEM).

The New York Times |

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A proporção de homens e mulheres cresceu em sete pontos percentuais desde 1995. Muito do crescimento foi consequência da conscientização feminina de que a mulher precisa conquistar o poder ao invés de só pedir por mudança, disse uma das mulheres que discursou na cerimônia de divulgação do estudo.

Nós precisamos convencer a mulher de que a única maneira de realmente promover alguma mudança é parar de reclamar e ser a dona do poder, disse a senadora Cecília Lopez Montano, oradora do Partido Liberal, partido de oposição na Colômbia. Essa é uma grande luta porque os homens têm controlado o poder por séculos. 

Se a taxa de mudança se mantiver constante, em 2045 as mulheres se igualarão os homens nos países desenvolvidos, onde o estudo da UNIFEM apontou que as mulheres foram eleitas para 40% a 60% assentos parlamentares. O estudo também analisou como a mulher era afetada pela economia, pelas cortes judiciais e pelo crime.  

Ferramenta eficaz

As cotas que reservam assentos para as mulheres se provaram um instrumento de auxílio para elevar esses números. Nas eleições que ocorreram no ano de 2007, mulheres de países com algum tipo de cota conquistaram mais de 19,3% dos assentos, em oposição aos 14,7% em países sem cotas, apontou o estudo. Dos 22 países onde a mulher representa mais de 30% das Assembléias Nacionais, 18 têm algum tipo de cota.  

Resultados parciais das eleições de Ruanda, anunciados pelos jornais na quinta-feira, indicaram que o parlamento do país, que reserva 24 dos 80 assentos para as mulheres, será o primeiro a ter maioria feminina, com 44 assentos ocupados por mulheres.  

O genocídio em Ruanda também foi um fator crucial para encorajá-las a se envolverem mais com a política durante a reconstrução do país, disse Inês Alberdi, diretor executivo da UNIFEM. 

Se você está em uma posição secundária, você nunca poderá lutar pelas mulheres, disse.

O relatório encontrou uma alta correlação entre os números de mulheres eleitas e legislação relacionada a assuntos femininos, incluindo serviços agrícolas, creches e luzes nas ruas para garantir a segurança. Também foi citada uma pesquisa britânica que conclui que as mulheres tendem a votar em eleições quando há candidatas mulheres. 

Além disso, o estudo sugere que as mulheres ocupam bem menos cargos de lideranças nos partidos que o número de mulheres na política pode sugerir. Um relatório da América Latina mostrou que, apesar de 47% do parlamento paraguaio são mulheres, só 19% ocupam cargos de liderança. No México, 52% dos membros dos partidos são mulheres, em comparação com as 31% que estão na liderança. No Panamá, esse número é de 45% frente a 19%.

Você precisa ser três vezes mais inteligente, você precisa ser quatro vezes mais transparente, você precisa ser muito melhor que homens em tudo, disse Lopez, a senadora colombiana. Nós ainda temos uma sociedade masculina e chauvinista.

E continuará sendo assim, ela disse, até que o déficit democrático seja superado, em referência a igualdade entre homens e mulheres.

Por NEIL MacFARQUHAR

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