Onda de violência atinge imigrantes na África do Sul

JOANESBURGO, África do Sul - O homem certamente parecia morto, deitado imóvel no chão do acampamento. Mas conforme as pessoas se aproximaram percebeu-se um sinal de respiração em seu peito. Esse aqui pode estar vivo, alguém disse. Como que para confirmar, o homem mexeu os dedos.

New York Times |

A surpresa multidão não comemorou, nem reclamou. Afinal de contas, os horríveis ataques contra imigrantes em torno de Joanesburgo já acontecem há uma semana e sob seus olhos a vítima não passava de alguém do Malauí ou Zimbábue, outra casualidade na limpeza contínua.

Essa nação está passando por um espasmo de xenofobia, com os pobres sul-africanos descontando sua raiva nos pobres estrangeiros que vivem entre eles. Ao menos 22 pessoas foram mortas até segunda-feira no tumulto, afirmou a polícia.

Mas o número total de mortes é apenas um indício das consequências. Milhares de imigrantes foram expulsos de suas casas. Eles se reúnem em delegacias e centros comunitários da cidade, alguns com as poucas possessões que conseguiram salvar das turbas que invadiram suas casas, a maioria sem nada além da roupa do corpo.

Desde o fim do apartheid, uma pequena porção da população negra - os bem educados e politicamente conectados - se tornou bem-sucedida. Mas o vão entre ricos e pobres aumentou. A taxa oficial de desemprego é 23%. A moradia permanece um problema.

"Isso tem alimentado a raiva na base da sociedade", disse Marius Root, pesquisador no Instituto de Relação Inter-racial da África do Sul. "Há essa percepção de que eles não estão colhendo os frutos da liberação".

Aqui no Assentamento Ramaphosa, a colônia de sem-teto do sudeste da cidade, seis imigrantes foram mortos nos últimos dois dias - ou talvez sete, caso o homem encontrado no chão não sobreviva.

A África do Sul tem 48 milhões de pessoas. É difícil encontrar uma estimativa de quantos estrangeiros residem no país. Certamente, nem todos os imigrantes favorecem a África do Sul economicamente. Mas os somalianos e etíopes se mostraram bem-sucedidos donos de lojas e os zimbabuanos, maior grupo de imigrantes, deixaram a hiperinflação de seu país para trabalhar como serventes ou trabalhadores braçais.

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