Onda de mortes na Nigéria é ligada a seita islâmica

Soldados foram enviados para região e toque de recolher foi imposto depois de ataques ligados a grupo antiocidental

The New York Times |

Uma série de assassinatos misteriosos de policiais e políticos na cidade nigeriana de Maiduguri, perto do deserto, perpetrados por homens armados sobre motocicletas, levou autoridades a declarar que uma seita islâmica radical - que teria sido exterminada por tropas da Nigéria no ano passado - foi reavivada.

Soldados foram enviados à região novamente, um toque de recolher foi imposto e muitos moradores temem ousados ataques à luz do dia a delegacias de polícia e soldados que oficiais qualificam como uma renovação dos ataques realizados no ano passado por uma seita antiocidental.

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Estudante que testemunhou assassinato de professora em Maiduguri, Nigéria
Evidentemente, o governo da Nigéria enfrenta um desafio imediato. No mês passado, uma fuga audaciosa libertou mais de 700 presos – incluindo muitos membros da seita - em Bauchi e na semana passada uma delegacia foi bombardeada em Maiduguri e muitos policiais e outros líderes locais foram assassinados.

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A violência no norte do país acontece em um momento delicado para a Nigéria, um dos maiores produtores de petróleo do mundo e importante fornecedor dos Estados Unidos. Embora o país se mantenha estável, também está se esforçando para organizar as eleições do próximo ano que irão testar a capacidade e a legitimidade da sua jovem democracia.

Além disso, o governo enfrenta uma nova ameaça de militantes na região petrolífera do sul do país, que reivindicou a responsabilidade por um atentado a bomba durante as comemorações do Dia da Independência na capital, Abuja, este mês.

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Moradores rezam em mercado de Maiduguri, onde grupo radical Boko Haram é culpado de série de assassinatos
Os militantes do sul têm travado uma insurgência contra a indústria do petróleo há muitos anos, mas o ataque foi a primeira vez que atingiram tão diretamente o coração do poder na Nigéria. A inquietação no sul também é alimentada pela corrupção e pela gritante desigualdade econômica.

Estados dessa região são os mais pobres do país, com mais de 70% da população vivendo na pobreza, de acordo com a Organização das Nações Unidas, enquanto os poucos ricos vivem em mansões por trás de muros altos.

Em Maiduguri, uma cidade quente de prédios baixos e cerca de 1 milhão de pessoas localizada perto da fronteira com Camarões, o descontentamento é tingido pela religião. A lei islâmica está em vigor na cidade, como em todo o norte do país, mas não estritamente o suficiente para a seita Boko Haram, cujo nome é uma expressão na língua local, a hausa, que indica desgosto com a educação ocidental.

"A Boko Haram luta contra o governo por causa do nível de injustiça", disse o mecânico Dan Aminu. "Todas as pessoas estão a seu favor".

*Por Adam Nossiter

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