Oficial do Pentágono coordenou rede de espionagem secreta

Michael D. Furlong é acusado de criar rede de inteligência "não autorizada" para recolher informações de Afeganistão e Paquistão

The New York Times |

Uma autoridade de alto escalão do Pentágono agiu contra as regras do Departamento de Defesa e "enganou deliberadamente" generais sênior ao montar uma rede de espionagem formada por empresas privadas no Afeganistão e no Paquistão desde o ano passado, de acordo com os resultados de um inquérito interno do governo.

A investigação do Pentágono concluiu que Michael D. Furlong criou uma rede de inteligência "não autorizada" para recolher informações de ambos os países – alguns dados chegaram a ser passados a generais e foram usados para ataques contra grupos militantes – enquanto mascaravam toda a operação.

O inquérito concluiu que "a investigação se justifica pelas declarações enganosas e incorretas feitas pelo indivíduo" sobre a legalidade do programa, de acordo com o coronel David Lapan, porta-voz do Pentágono.

© AP
Michael Furlong, em foto de 28/10
Contatado por telefone na quinta-feira, Furlong se mostrou irritado com a conclusão da investigação, dizendo que ninguém do Departamento de Defesa o entrevistou como parte do inquérito.

O secretário de Defesa Robert M. Gates ordenou a investigação após o "New York Times" veicular uma reportagem a respeito da existência da rede em março. O inquérito foi realizado por Michael Decker, assessor de Gates para assuntos de inteligência.

Os resultados do inquérito do Pentágono são confidenciais e os funcionários do Departamento de Defesa deram poucos detalhes sobre as acusações.

Furlong, um oficial de alto escalão da Força Aérea civil, foi afastado de seu gabinete em San Antonio por vários meses. O inspetor geral da Força Aérea está conduzindo uma investigação independente sobre o assunto para determinar se Furlong quebrou alguma lei ou contrato com a fraude cometida.

As regras do Pentágono proíbem a contratação de empreiteiras para a espionagem. Autoridades militares disseram que quando o general David H. Petraeus, então comandante da região, autorizou a operação de Furlong em janeiro de 2009, existiam proibições específicas contra a coleta de inteligência, incluindo a contratação de agentes para fornecer informações sobre as posições inimigas no Paquistão.

Os contratados deveriam fornecer apenas informações gerais sobre a dinâmica política e tribal da região e "forçar a proteção" de informações que possam proteger as tropas americanas de ataque, disseram os funcionários.

No entanto, alguns oficiais do Pentágono disseram que ao longo do tempo a operação pareceu transitar para atividades tradicionais de espionagem.

A rede de Furlong, composta por um grupo de pequenas empresas que os agentes usaram dentro do Afeganistão e do Paquistão para coletar inteligência sobre grupos de militantes, operava sob um contrato de US$ 22 milhões executado pela Lockheed Martin Corp.

Uma das empresas utilizou um grupo de agentes americanos, afegãos e paquistaneses supervisionado por Duane Clarridge, um veterano da Agência Central de Inteligência. Clarridge se recusou a ser entrevistado.

Autoridades disseram que os contratados entregavam seus relatórios de inteligência através de "Hushmail", um serviço de e-mail criptografado, a uma "célula de fusão de informações operacionais" em uma base militar no Aeroporto Internacional de Cabul. Lá, as informações eram colocadas em redes confidenciais de computadores militares e usadas tanto para futuras operações militares quanto para relatórios de inteligência.

Os contratados continuaram o seu trabalho por semanas após Gates ordenar a investigação, enviando dezenas de relatórios para o centro de fusão. O Pentágono finalmente deixou o contrato terminar no final de maio.

Por Mark Mazzetti

    Leia tudo sobre: pentágonoespionagemeua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG